quinta-feira, 2 de abril de 2015

EM BUSCA DE UM MILAGRE

Naamã, comandante do exército do rei da Síria, era grande homem diante do seu senhor e de muito conceito, porque por ele o SENHOR dera vitória à Síria; era ele herói da guerra, porém leproso. (2Reis 5:1)

É consenso que apesar das dificuldades detectadas na área da saúde, a medicina evoluiu de maneira significativa. Hoje em dia é possível detectar algumas doenças futuras através das informações genéticas de uma pessoa, por meio de um simples exame, o que há alguns anos era impossível. Os métodos de cura se mostram muito mais eficientes e as pesquisas e as descobertas não param. Contudo, apesar de todo aparato medicinal, as pessoas continuam morrendo, vítimas de enfermidades. As doenças vasculares cerebrais, por exemplo, estão dentre as que mais matam no mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde.

Ainda há doenças sem cura. A medicina sempre ajuda, mas nem sempre resolve o problema. E quando isso acontece, o que fazer? Naamã resolveu ir em busca de um milagre. O que aprendemos com a história dele?

Em primeiro lugar, esse episódio nos ensina que somos vulneráveis:
Quem era Naamã? Comandante do exército sírio, em Damasco, nos tempos de Jorão, rei de Israel. Naamã foi homem habilidoso e corajoso, que merecia a posição que ocupava. Muitas das vitórias dos sírios devem-se a grande capacidade militar desse comandante. Naamã estava acostumado às vitórias. Ele era um herói nacional; ao mesmo tempo  estava ele acostumado à fama: o seu nome vivia atrelado ao êxito; era uma personalidade de sucesso em seu país.

Naamã estava acostumado às regalias. Ele dispunha de livre acesso ao palácio real. Os corredores do poder não lhe eram estranhos. Naamã possuía o que muita gente gostaria de ter: riqueza, fama, poder, conquistas. Um dia, porém, a casa caiu. O homem que sabia humilhar os seus adversários com as lâminas de sua espada, foi derrotado diante de uma horrível enfermidade: a lepra.

O que isso nos ensina? É simples: não existem super homens ou mulheres maravilhas no mundo real. O jovem que pensa que nunca vai morrer, engana-se a si mesmo. Dirigir em alta velocidade, entupir as veias com drogas, encher os pulmões de álcool, podem levar a morte. O investidor não está imune a perdas monumentais no mercado de ações; um pastor integro e sincero pode ser vítima de uma investida satânica; o atleta não está livre de um infarto e o rico, pode sim, ficar pobre.

Portanto, cuidado com o excesso de autoconfiança. Não somos tão fortes quanto pensamos. Cristo nos tornou livres do domínio do pecado, mas não da presença dele. Se o subestimarmos, podemos cair por sua causa. Cuidado: a presunção pode nos prejudicar. A arrogância é a porta de entrada para o fracasso. Somos vulneráveis. 


O episódio da enfermidade de Naamã nos ensina, em segundo lugar que: somos dependentes:
Naamã não tem como escapar da lepra. Ele está desesperado. A sua condição é a pior possível para quem ostenta o título de general. A serva israelita que vivia no palácio avisa que o profeta de Deus pode curá-lo. Essa notícia é suficiente para que o general leproso tenha um fio de esperança. Então, com a autorização de seu rei, Naamã vai buscar ajuda em Israel. 

Naquele momento, Israel e Síria estavam em paz, mas antes eles já haviam guerreado um contra o outro. Agora, porém, isso pouco importa ao general enfermo. Ele está em busca de um milagre, de uma cura. O profeta Eliseu não era Deus, mas era homem de Deus; ele possuía autoridade de Deus para curar. E porque tinha autoridade, Eliseu disse ao rei: Deixa-o vir a mim, e saberá que há profeta em Israel. (2Rs 5:8). E porque era profeta de Deus, Eliseu disse ao general sírio: Vai, lava-te sete vezes no Jordão e a tua carne será restaurada, e ficarás limpo (v.10).

Os milagres de Deus devem ser buscados no lugar certo. Deus é quem nos cura de nossas enfermidades. Ele vai aonde ninguém mais pode chegar. O médico pode remover a doença do corpo, mas só Jesus pode remover as enfermidades não somente físicas, mas também, espirituais. Cristo cura quando, onde e a quem ele quiser. Todas as enfermidades estão debaixo de seu poder e soberania.

Dependemos de Jesus para sermos curados de nossas crises existenciais. Precisamos de Jesus para sermos curados do pecado. Dependemos de Jesus para sermos curados daquilo que aos homens é incurável. Somos vulneráveis sim; somos dependentes sim; Mas o poderoso Deus faz do fraco, forte.

Se a situação estiver difícil, busque a Deus; Se o casamento estiver por um fio, busque a Deus; Se a doença foi detectada, busque a Deus; se o projeto falhou, busque a Deus; se o filho deu problema, busque a Deus.

Busquemos a Deus porque ele tem cuidado de nós.

Em Cristo, 

Jailton Sousa Silva

sexta-feira, 7 de março de 2014

O preço da liberdade


           Soltou aquele que estava encarcerado por causa da sedição e do homicídio, a quem eles pediam; e, quanto a Jesus, entregou-o à vontade deles. (Lc 23:25)


Um amigo verdadeiro não nos abandona. Ele não fica por perto visando algum interesse pessoal. Um verdadeiro amigo divide a dor, aconselha, ama, repreende. Um amigo verdadeiro é fiel. Mas quem gostaria de ser amigo de um assassino? Quem daria a vida por um terrorista?  
O capítulo 23 do evangelho de Lucas é intrigante. A narrativa gira em torno de alguns personagens, mas gostaríamos de enfatizar dois deles. Cristo e Barrabás. É possível que Barrabás jamais tivesse falado com Cristo na vida. Talvez nunca tivessem trocado uma ideia sequer. Contudo, ambos tinham algo em comum: estavam na rota da cruz. Eles estavam presos e marcados para morrer. Mas somente um deles chegaria realmente, a morrer na cruz. O outro, por sua vez, seria posto em liberdade.
Não sei se você conseguiu pegar o “fio da meada”: o preço da liberdade é a morte de alguém. É isso que fica evidente no episódio narrado em Lucas 23:13-25. Para que Barrabás se tornasse um homem livre, Jesus deveria ser morto. Para que a humanidade se tornasse liberta, o Cordeiro de Deus deveria enfrentar a horrenda cruz romana. Foi exatamente isso que aconteceu. Os fatos mencionados nos evangelhos culminam na seguinte certeza: Jesus morreu para nos livrar da prisão.
            Há muito tempo Barrabás estava sendo caçado. Os soldados o seguraram com força, algemaram-lhe as mãos e o lançaram na prisão. O homem que antes era o assassino revolucionário mais procurado do país, agora não passa de um prisioneiro indefeso. A sua vida de crimes havia chegado ao fim. Na prisão romana estava ali confinado o cruel zelote. O v.19 diz: Barrabás estava no cárcere por causa de uma sedição na cidade e também por homicídio (grifo nosso).
            Barrabás agora está preso. Sabia ele que havia se metido numa tremenda enrascada. O seu presente era a prisão, mas o seu destino final seria a morte. Contudo, sua história começa a caminhar para um desfecho diferente. Do lado de fora da fortaleza onde ele estava preso, havia um grande tumulto que deixara Pilatos, o governador romano, preocupado. A multidão enfurecida exigia a “cabeça” de Jesus. Mas Pilatos sabia que Cristo não merecia morrer. Na inútil tentativa de impedir a condenação de Cristo, o governador expôs os dois réus ao julgamento da multidão e dos líderes judeus, e perguntou-lhes: Qual dos dois quereis que eu vos solte? Responderam eles: Barrabás! (Mt 27:21b).
Que alivio Barrabás deve ter sentido! Agora ele podia dizer: “Estou livre!”. Entenda: Barrabás não foi solto por bondade de Pilatos, nem por compaixão da multidão.  O que houve foi uma substituição, isto é, Barrabás foi solto porque Cristo tomou o seu lugar. Se Jesus não tivesse cruzado o seu caminho, ele seria torturado, pregado e morto sobre a vergonhosa cruz. Barrabás foi liberto porque um homem inocente foi condenado.
            Porque o inocente foi crucificado não mais estamos presos debaixo do domínio do pecado, nem estamos mais separados de Deus. Como Barrabás, estávamos confinados no cárcere. Sobre nós pesava a ira de Deus. Mas Cristo tomou o nosso lugar! Sem ele, estaríamos perdidos! Cristo tem poder para livrar-nos das garras devastadoras do pecado! Sim, Cristo odeia o pecado, mas ama o pecador. Ele não é amigo do mal, mas é o melhor amigo do ser humano!
 Há uma verdade por trás de toda essa história: Jesus foi preso para livrar não somente a Barrabás, mas também, para livrar a você da prisão! Ele veio proclamar libertação aos cativos, e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, e para proclamar o ano aceitável do Senhor (Lc 4:18-19). Pela cruz, Cristo nos dá liberdade!


Pr. Jailton Sousa Silva

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Geração Metanoia, acorda! A união faz a força

A frase: “O povo acordou” representa, talvez, o lema dos protestos que invadiram o país nesses últimos dias. A imprensa nacional e internacional noticiou em primeira mão tudo sobre as manifestações ocorridas no Brasil. Milhares de pessoas foram para as ruas reivindicar melhorias no transporte público, na educação, na saúde, na segurança. A repercussão teve uma abrangência assustadora em um curto espaço de tempo. A corrupção, a “erva daninha” que suga os recursos do país, foi também alvo dos protestos. É errôneo dizer que a voz do povo é a voz de Deus, porém, não se pode negar a sua influencia, a sua força num país democrático como o Brasil.

Não demorou e os resultados provocados pelas manifestações logo apareceram. Em vários Estados brasileiros, o preço da passagem urbana foi reduzido. A Câmara dos Deputados foi praticamente “forçada” a derrubar a PEC 37, a proposta de emenda constitucional que tirava poderes de investigação do Ministério Público. Caso fosse aprovada, a PEC 37 inviabilizaria algumas investigações como: desvio de verbas, crime organizado, abusos cometidos por agentes dos Estados e violações de direitos humanos. 430 votos, porém, lançaram por terra tal proposta. Esta foi, sem dúvida, uma grande vitória, mas não a única. A Câmara também aprovou o projeto que determina que 75% dos recursos dos royalties do petróleo da união, estados e municípios sejam destinados à educação. E 25% à saúde. Diferente do projeto original do governo que previa a aplicação de 100% das receitas em educação.[1] O povo foi para as ruas e a presidente da república, para a TV dar satisfações à nação. Incrível isso, não é mesmo? O que se conclui de tudo isso? Que um povo unido é um povo forte e um povo forte é difícil de ser batido.

O povo de Deus é forte. E isso não é de agora. No Egito, os hebreus cresciam numa proporção avassaladora. Tal crescimento assustou o governo nacional, que começou a executar o seu plano no sentido de impedi-lo. Faraó, então, passou a escravizar os hebreus, porém, quanto mais os afligiam, tanto mais se multiplicavam e tanto mais se espalhavam (Êx 1:12). Não morreram à míngua no Egito, pois Deus os libertou da escravidão (Sl 136:10-12). Anos mais tarde esse mesmo povo (ou a descendência dele), com a ajuda de Deus, se apossou da terra dos cananeus (Jr 32:21-22). Em união, todos fizeram a sua parte e alcançaram o tão almejado descanso.

O povo de Deus de hoje é a igreja, composta tanto de judeus quanto de gentios e não é pequena. Há verdadeiros cristãos espalhados por todos os continentes do planeta. No Brasil, os evangélicos são muitos. Segundo pesquisa divulgada em junho de 2012, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de evangélicos subiu de 26,2 milhões para 42,3 milhões até 2010.[2] A voz da igreja, portanto, tem peso na nação.

O que fazer, portanto, com tal trunfo nas mãos? Como nós, cristãos, devemos usar o peso de nossa voz numa sociedade cauterizada pelos problemas de ordem social e espiritual? Pois bem, Jesus disse que devemos agir como sal da terra e luz do mundo (Mt 5:13-14). Ele não quer que andemos em conformidade com este sistema caído chamado mundo, mas na contramão de seu percurso. Temos dupla cidadania, isto é, somos cidadãos da terra e do céu. Ainda temos muito por fazer. Isso mesmo, podemos fazer algo por esta pátria. Esta na hora de olharmos para fora das quatro paredes do templo e refletirmos sobre a súbita mudança de postura da sociedade brasileira revelada nas manifestações.

Os filhos do reino de Deus não se conformam com a impunidade nem com a injustiça social. Como cidadãos do reino, temos a mente de Cristo; como cidadãos do Brasil, temos o voto. Ambas as armas são potentes. Devemos usá-las. Assim sendo, que tal nos unir e omitirmos o nosso voto aos candidatos envolvidos em esquema de corrupção? Nada de votar em ficha suja; nada de vender o voto. Cristo não faria isso. Que tal rejeitarmos nas urnas aqueles que falam de honestidade, mas se apressam em defender a corruptos? Em vez de nos deixar seduzir pelo carisma, avaliemos projetos, propostas, princípios e se estes não contrariam aos princípios mais importantes, que caracterizam o reino de Deus. A união faz força. A união faz a diferença. Geração metanoia, acorda!

Em Cristo,

 Jailton Sousa Silva