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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Palavras agradáveis


Olá. Que a paz de Cristo seja contigo! A nossa reflexão de hoje tem por tema “Palavras agradáveis”. Então, por favor, leia comigo o texto bíblico de Colossenses 4:6, que diz:
O seu falar seja sempre agradável e temperado com sal, para que saibam como responder a cada um.

Falar bem é importante. Quem usa as palavras com discernimento, poderá alcançar bons relacionamentos, um bom emprego, a admiração das pessoas. Mas falar bem não se limita a possuir um amplo vocabulário. Mas, acima de tudo, ao domínio da própria língua, ou seja, à moderação em nossas palavras. Sabemos que sendo a língua um órgão tão pequeno, muitos de nós temos dificuldade em domá-la. De fato, grande parte das pessoas não a domina, mas se deixa dominar por ela, falando o que, quando e a quem não deve falar.

Como, porém, não ser desagradável numa área tão importante da vida, que é a fala? A Bíblia dispõe de ensinamentos essenciais a este respeito.

Em primeiro lugar, profiramos palavras brandas.
A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira, diz o sábio em Provérbios 15:1. Toda ação poderá produzir uma reação. Uma palavra de elogio poderá culminar em uma resposta de gratidão, mas uma palavra de ira poderá resultar em respostas agressivas e grosseiras, capazes de macular os relacionamentos entre as pessoas.
A ira causa separação. Há filhos brigados com os pais. Há irmãos que não se suportam. As agressões verbais entre casais são deploráveis. Muitas tragédias familiares se iniciam com apenas uma pequena faísca de ira. Cuidado. O nosso exemplo é Cristo. Ele mesmo nos convida: aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração (Mt 11:29). A mansidão e a humildade não são iracundas, mas pacientes. Essas qualidades nos ajudam a respeitarmo-nos uns aos outros.  A ira causa temor, mas só amor nos constrange ao bem.

Em segundo lugar, evitemos o falso julgamento.
Em Colossenses 3:8 somos alertados a nos despojar da maledicência. Além da ira, a maledicência também fere corações, destrói relacionamentos e mata pessoas. O que é maledicência? É a fala abusiva contra Deus e contra as pessoas. É difamação e injúria contra a reputação alheia.
Muitos se consideram espirituais, mas vivem denegrindo a reputação alheia, acusando sem provas, criando contendas e abalando o corpo de Cristo. Contudo, os verdadeiros cristãos espirituais manifestam, em sua vida, o fruto do Espírito. A temperança ou domínio próprio é uma virtude desse fruto. Então, sejamos temperantes nas palavras que saem de nossos lábios. Evitemos falar algo, sem antes, pensarmos nas consequências que isso causará. Rejeitemos o julgamento precipitado, as fofocas e os boatos.  

Em terceiro lugar, utilizemos a decência.
Colossenses 3:8 no ensina também a nos despojarmos da linguagem obscena do nosso falar. Em outras palavras, o que o escritor da carta nos orienta é a adotarmos uma linguagem pura, desvencilhada de palavrões e de palavras de duplo sentido.
O ensino contido na carta aos Efésios 5:3-4 é semelhante. Assim está escrito: ...qualquer tipo de imoralidade sexual, indecência ou cobiça não pode ser nem mesmo assunto de conversa entre vocês. Não usem palavras indecentes, nem digam coisas tolas ou sujas, pois isso não convém a vocês.
Qual tem sido o assunto de nossas conversas na roda de amigos? Que tipo de piadas temos tido interesse em contar ou em ouvir? Que pensamentos permeiam, de modo constante, nossa mente? O que sai de nosso coração edifica ou contamina? Lembre-se: geralmente falamos o que provém do nosso coração. Sejamos puros em nosso falar.

Em quarto lugar, sejamos verdadeiros.
  Colossenses 3:9 nos adverte: Não mintais uns aos outros, uma vez que vos despistes do velho homem com seus feitos. A mentira leva à fraude e à corrupção. Ela lança abaixo a confiança por anos conquistada por alguém. A mentira é uma característica de Satanás. Este mente desde o princípio. Mas Deus, por sua vez, rejeita a prática da mentira. Cristo é a verdade e recebe, com prazer, os verdadeiros adoradores.
Portanto, se quisermos ser parecidos com Jesus e imitá-lo, é preciso que de nossos lábios saiam palavras verdadeiras. A verdade é um princípio irrevogável. Não podemos ignora-la no que diz respeito às nossas palavras. Paulo escreveu, em sua carta aos Efésios 4:25: ...deixai a mentira, e falai a verdade cada um com o seu próximo, pois somos membros uns dos outros.

Concluindo esta reflexão, quero enfatizar a afirmação de Colossenses 3:9, de que nos despimos do velho homem com os seus feitos. Será que isso tem a ver com nossas palavras? É claro que sim. Os nossos pensamentos não são os de antes, quando éramos dominados pelo pecado. Nossas palavras não mais são indecentes. Temos a mente de Cristo. Uma mente cristocêntrica produz palavras que curam, que restauram, que edificam e que pacificam. Amém.  

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

PREGUE A PALAVRA


INTRODUÇÃO:

Que a paz do Senhor seja contigo.

Hoje abordaremos o tema: “PREGUE A PALAVRA”. Acompanhe, por gentileza o texto de Rm 10:17, que diz:

Consequentemente, a fé vem por se ouvir a mensagem, e a mensagem é ouvida mediante a palavra de Cristo.

 A igreja primitiva, aquela da época dos apóstolos, crescia de modo espantoso. Este crescimento não acontecia em longo prazo, mas diário. E como isso era possível? Simples: As pessoas eram convencidas mediante a pregação da Palavra de Deus pelos cristãos.

A palavra, entretanto, não era exposta de qualquer maneira. Quem pregava, o fazia com ousadia e convicção. Mas isso não era fácil. Havia oposição e descrédito em relação às boas novas. Sobre isso Paulo disse em 1 Co1:23: nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus e loucura para os gregos (1Co 1:23).

Gostassem ou não a semente do evangelho era plantada. Muitos eram convencidos a abandonar o pecado e a renderem-se a Cristo. A pregação é importante para convencer o pecador do pecado, da justiça e do juízo. Consideremos as seguintes atitudes em relação à pregação.

Em primeiro lugar,

Pregue a palavra considerando o seu propósito:

A pregação da palavra de Deus não é sem objetivo. Ela tem um propósito.  E qual seria este propósito? Seria o propósito da pregação entreter os crentes, já que estes muitas vezes chegam na igreja exaustos de uma dura semana de trabalho? Ou quem sabe seria o propósito da pregação exaltar o pregador, afinal, os púlpitos das igrejas são tão visados, não é mesmo? Ou, talvez, seria o propósito da pregação preencher a liturgia do culto, afinal, faz parte da tradição?
       
Na verdade, nenhuma dessas opções se constitui o verdadeiro propósito da pregação da palavra de Deus. Ela está acima de nós, do nosso vil desejo de entretenimento, do nosso ego e das tradições. O verdadeiro propósito da pregação é a salvação. É isso que diz o texto de Romanos 1:16: o evangelho é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê.
Se a palavra pregada não tiver o propósito de conduzir o pecador a salvação em Cristo, será como dar um tiro no escuro, ou seja, será vã.
               
Se eu sou um pregador sério, me preocuparei não com a minha promoção pessoal, mas com a salvação do ouvinte. É oportuno dizer isso porque hoje em dia muitos púlpitos estão infestados de pregações cujo objetivo é conduzir o ouvinte á ganância por prosperidade financeira.

Pergunto: Onde está a pregação do arrependimento enfatizada por João Batista? Ou o chamado à conversão conduzido por Pedro? Cadê a mensagem do Reino que Jesus pregou? Por que pouco se ouve a respeito de assuntos tão relevantes para a salvação nos púlpitos das igrejas? Precisamos resgatar o verdadeiro propósito da pregação em nossos sermões. Se não o fizermos Deus o cobrará de nós. O desejo dele é a salvação dos pecadores.

Em segundo lugar,

Pregue a palavra, dando-lhe prioridade:

A pregação nunca ficou em último plano na vida da igreja do primeiro século. Ao contrário, era prioridade seguida a risca por aqueles irmãos. Ao ler o livro de Atos com cuidado, você logo perceberá que a Palavra era pregada nas casas, nas prisões, nas sinagogas, e até nas margens dos rios.

E se a perseguição viesse? Não tinha importância, pois aqueles cristãos faziam questão de proclamar a Palavra em meio à situações adversas.

Portanto, não esqueça: pregar a palavra de Deus é nossa missão. Logo, é nossa prioridade. Se faço parte da igreja de Jesus, devo ser um agente do reino de Deus no mundo. Em outras palavras, eu o proclamo.

Se quisermos ver almas convencidas do pecado, da justiça e do juízo, precisamos fazer da pregação a nossa prioridade. O Mestre fez o mesmo em seu ministério e temos a obrigação de imitá-lo. Reflita a respeito.

Em terceiro lugar,

Pregue a palavra enfatizando o seu assunto: 

Qual é o assunto da pregação? Cristo, indiscutivelmente. Ele é o protagonista do evangelho. A glória só a ele pertence. Jesus, e não outro, é o motivo da pregação. É com ele que o pecador deverá ter um encontro a fim de mudar de vida, de uma vez por todas.

Saulo só se tornou nova criatura ao ter um encontro com o Salvador no caminho de Damasco. Não demorou e logo estava ele, proclamando a cerca de Cristo, a quem tanto perseguira. Cristo foi o centro da sua pregação. Tempos depois ele não pode deixar de testemunha a esse respeito. Disse ele em 1Co 2:2: ...decidi nada saber entre vocês, a não ser Jesus Cristo, e este, crucificado. (1Co 2:2). Imitemos a este amado apóstolo fazendo de Jesus o assunto da nossa pregação.

Chegamos ao final deste sermão e lhe pergunto: terá a sua pregação a partir de agora o propósito de promover a salvação de vidas? Você fará dela a sua prioridade? Qual será o assunto nela abordado? Jesus? Que a sua resposta a estas perguntas seja positiva. Que o Senhor te abençoe. Amém.
                                               
 Ms. Jailton Sousa Silva

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Deus nos chama

 Então o SENHOR chamou Samuel. Samuel respondeu: “Estou aqui”. (1 Samuel 3:4)

Introdução:

O texto de 1 Samuel 3:1 a 10 relata a experiência que o menino Samuel teve com Deus. Particularmente, acho este trecho da Escritura lindo e maravilhoso. Isso reflete o autor da Bíblia, que é magnífico em todas as suas obras, embora nós, meros seres humanos, falhos e pecadores, nem sempre reconheçamos isso. Diante da grandeza de Deus, somos, simplesmente, insignificantes.   Mas mesmo assim ele nos chama. O Senhor ignora a nossa pequenez e nos procura, como fez com o garoto, filho de Ana. Ele conversa conosco!

Por falar nisso, é importante que não deixemos o diálogo com Deus se enfraquecer. Isso é comum nesta era. As ocupações do dia a dia tornam o nosso curto tempo, ainda mais apertado a ponto de, na maioria das vezes, não nos “sobrar tempo” para a importante prática da oração. Obviamente, isso acontece quando não damos a devida prioridade a ela. Deste modo, a oração não ficará na fila de espera aguardando uma “sobrinha” de tempo de nossa parte.

Mas Deus é longânimo e misericordioso. Nos ouve quando o buscamos com seriedade. Ele também nos chama pelo nome, assim como chamou Samuel e outros servos como Saulo (Atos 9:3) Lázaro (João 11:43) Adão (Gênesis 3:8). Isso é extraordinário! Não ignoremos, portanto, o chamado de Deus para nossas vidas. Estejamos atentos a sua voz. Sejamos submissos a sua vontade.  A que se destina o chamado de Deus para nós? Entre outras coisas, Somos chamados por Deus para:

I.   Salvação

Deus nos chamou para a salvação. Diz a Palavra que ele nos chamou de acordo com o seu propósito (Rm 8:28). Sobre a salvação, a Bíblia diz: E aos que predestinou, também chamou; aos que chamou, também justificou; aos que justificou, também glorificou (v.30). Foi por isso que ele enviou o seu Filho à terra (Jo 3:16). Jesus foi muito claro ao falar do assunto ao dizer: O Filho do homem veio para salvar o que se havia perdido (Mt 18:11). Isso nos faz refletir sobre duas importantes questões. Primeira, não podemos salvar a nós mesmos. Só Cristo é salvador. Somente ele se entregou em favor da humanidade. Ele nos amou quando ainda não o conhecíamos. O rico tem dinheiro para comprar muitas coisas, mas não a vida eterna. Sem Jesus, todos os homens, independentemente da condição social, etnia, influencia etc., estão perdidos.

A segunda questão a se refletir sobre a nossa salvação é que não temos mérito algum. Em Efésios 2:8 diz: “Pois vocês são salvos pela graça, por meio da Fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus”. Somos salvos pela graça de Deus, pelo sacrifício de Jesus na cruz e por meio da Fé. Não são as obras que salva o cristão. Dar esmolas, ajudar o pobre, estender a mão ao marginalizado é importante. Deus quer isso mesmo de cada um de nós. Mas isso não nos traz mérito, pois como diz a Bíblia, “isto não vem de vocês, é dom de Deus”. É ele quem nos concede esse dom. Jamais conseguiríamos a salvação se não fosse por intermédio de Jesus.

II.   Santidade

Porque Deus nos escolheu nele antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis em sua presença (Efésios 1:4).

Deus não nos chamou para vivermos na impureza, mas para a santidade. Não somos desse mundo, estamos de passagem: E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus (Rm 12:2). O mundo é mal. Os seus prazeres, embora agradáveis aos olhos, danificam a vida de quem a eles se entrega. Viver para o mundo, ou seja, por este sistema dominado pelo deus deste século, é permanecer morto em delitos e pecados.

 Deus quer que vivamos. O seu desejo é que façamos diferença na sociedade. Almeja que não nos permitamos influenciar pelas coisas que vemos no mundo, os seus ensinamentos, suas ideologias. Mas que tenhamos entendimento do alto e saibamos o quão boa, agradável e perfeita é a sua vontade.  

III.   Serviço

Porque somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obras, as quais Deus preparou antes para nós as praticarmos (Efésios 2:10).

Já dissemos aqui que as boas obras não nos fazem merecer a salvação, contudo, isso não quer dizer que devemos ignorá-las. Temos que fazer boas obras, dar bons frutos, afinal, esta é a vontade de Deus. Fomos chamados, também, para isso. É certo que nem sempre vemos os frutos das nossas obras de imediato. Os mártires, por exemplo, não viram o quanto sua fé e coragem contribuíram para o crescimento do evangelho no mundo. Paulo, possivelmente não imaginara que muitas de suas cartas seriam lidas em pleno século 21.

Seja qual for a situação, é precisa fazermos nossa parte. Não por mera obrigação, mas por prazer e gratidão ao Senhor. Deus se alegra quando fazemos algo para ele com alegria. Evangelizar com alegria é muito melhor, assim como colaborar numa obra social. Servir é melhor do que ser servido. No reino de Deus, grande é o que serve. Façamos isso.

Conclusão:

Que Deus continue a nos abençoar a cada dia e que possamos estar firmes na salvação, na santidade e no serviço do Mestre. Não esqueçamos de que vale a pena ouvir a sua voz. Todos nós fomos chamados para um determinado projeto, o qual está sob a direção de Deus. Ele tem planos específicos para cada crente, individualmente. Contudo, salvação, santidade e serviço abrange a toda a coletividade do povo de Deus. Não neguemos o seu chamado, e sim, abneguemo-nos a ele. Amém.

Gessiele Sousa

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

MAIS CONSCIÊNCIA DO CARÁTER E DA COMPAIXÃO DE DEUS

Isaías 6:2-7:
2-Serafins estavam por cima dele; cada um tinha seis asas: com duas cobria o rosto, com duas cobria os seus pés e com duas voava.
3-E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória.
4-As bases do limiar se moveram à voz do que clamava, e a casa se encheu de fumaça.
5-Então, disse eu: ai de mim! Estou perdido! Porque sou um homem de lábios impuros, habito no meio de um povo de impuros lábios, e os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos!
6-Então, um dos serafins voou para mim, trazendo na mão uma brasa viva, que tirara do altar com uma tenaz;
7-com a brasa tocou a minha boca e disse: Eis que ela tocou os teus lábios; a tua iniqüidade foi tirada, e perdoado, o teu pecado.

 Introdução:Aflições e conhecimento de Deus estão muito próximos um do outro. As provações tem uma habilidade incrível de fazer com que conheçamos a Deus.
Ao mesmo tempo em que a dor tem o seu lado negativo, ela faz com que a nossa fé cresça e se torne mais substancial. Muitas vezes, Deus se manifesta a nós utilizando-se das circunstâncias difíceis pelas quais passamos.

As aflições são fundamentais no processo de crescimento espiritual. As aflições nos tornam mais sensíveis para perceber e entender um pouco não só do caráter, mas também, da compaixão de Deus.

O jovem Isaías é prova disso! Ele pensava que conhecia a Deus. Mas foi na bigorna da dor que, realmente, ele o conheceu!

Todo o conhecimento que ele possuía a respeito de Deus era sem profundidade. Mas foi no momento mais complicado de sua vida que ele pôde dizer: meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos!

 Agora ele podia dizer como disse Jó: Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te vêem.

A compreensão de Isaías sobre as coisas e a pessoa de Deus era confusa e superficial. Mas passou a ser clara e profunda.

Para termos consciência do caráter e da compaixão de Deus não podemos ficar viciados a uma comunhão superficial com o Criador.
É preciso mais, muito mais! É necessário experiência! É necessário que nos coloquemos como barros nas mãos do Oleiro a fim de que ele nos amasse e nos molde, conforme a sua vontade!

Com base na experiência de Isaías, descrita no capítulo 6, versículos 2-7, de seu livro, podemos aprender duas importantes lições.

Vamos à primeira:

Em meio às aflições, o caráter de Deus pode ser conhecido.

Observe, por gentileza, o versículo 3 novamente: E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória.

Há momentos em nossa vida, que são inesquecíveis. Ao longo de nossa existência, nos deparamos com situações que nos deixam perplexos, maravilhados, atordoados. São momentos inapagáveis da memória!


Isaías passou por algo semelhante. Aquele atribulado jovem viu algo admirável! Descrevendo o que viu, é como se ele não soubesse se estava no céu ou se o céu havia descido.

Teve dificuldade em expor a sua visão. As mais lindas e articuladas palavras do mundo seriam insuficientes para descrever aquela cena. Eram coisas inefáveis, indizíveis!

Ele contemplou o Rei do Universo em seu trono, cercado por poderosos serafins. Seres celestiais que tinham seis asas cada um.[1] Estes formavam um grande coral e cantavam: “Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos, toda terra está cheia da sua glória” (Is 6:2-3).
Isaías teve uma visão da santidade de Deus. Você consegue imaginar o que é isso? A santidade daquele que é totalmente santo era tão gloriosa, fulgente e indescritível que até mesmo os serafins cobriam o rosto, pois não ousavam olhar diretamente para ela. [2]

Meditemos um pouco sobre a santidade de Deus. Na Bíblia há duas idéias básicas sobre ela: A primeira idéia é a da santidade absoluta de Deus.

Isso significa que ele é absolutamente santo porque “está totalmente separado de toda a criação”,[3] e exaltado acima de sua obra, subsistindo em majestade e grandeza infinita.[4]

Ex 15:11 diz: Quem entre os deuses é semelhante a ti, Senhor? Quem é semelhante a ti? Majestoso em santidade, terrível em feitos gloriosos, autor de maravilhas? (Ex 15:11 NVI).

O Senhor é o único totalmente santo! E Isaías teve o privilégio de ver isso. Ele viu Deus em seu esplendor, cercado por seres celestes que entoavam um som magnífico. Esses seres enalteciam o Todo-Poderoso por sua perfeita santidade.

Quase oito séculos depois de Isaías, foi o apóstolo João que teve uma visão parecida em Ap 4:8. Ele Viu quatro seres viventes aclamando: Santo, santo, santo é o Senhor Deus, o Todo-Poderoso.

Entenda: o caráter santo de Deus é conhecido no Antigo e no Novo Testamento!

O Deus do Antigo Testamento é santo, santo, santo; o Deus do Novo Testamento é santo, santo, santo. Deus é o mesmo. Ele não muda! Aquele que está assentado no alto e sublime trono é e sempre será o Deus santo.

A segunda idéia básica sobre a santidade do Senhor na Bíblia é a santidade ética de Deus. Esta é a expressão de sua perfeita pureza ou bondade.
Deus jamais é atingido ou manchado pelo mal moral ou pelo pecado presente no mundo. O Senhor nunca pratica o mal e nem é tentado por ele. Ele nunca falha; não pode enganar, mentir ou deixar de cumprir o que prometeu;

Deus não pode praticar qualquer ato que contrarie seu caráter, porque ele é moralmente perfeito. Sobre a pessoa de Deus, disse Habacuque no capítulo 1, versículo 13, de seu livro: Teus olhos são tão puros que não suportam ver o mal; não podes tolerar a maldade.

O nosso DEUS É DIFERENTE

Ele é completamente diferente dos deuses de outras religiões. Esses deuses geralmente estão ligados aos mesmos tipos de atos perversos e impuros de seus seguidores.
Mas o nosso Senhor não é assim! Não há sujeira no caráter dele. Não há corrupção no caráter dele. Não há impureza no caráter dele.

Não há maldade no caráter do Senhor. Ele é absolutamente limpo, puro e santo. Deus é justo e age de acordo com os padrões perfeitos da lei que ele mesmo estabeleceu.

Em nosso Deus podemos confiar! Ele é honesto em tudo que faz[5]. E falando nisso, Deus não se agrada dos desonestos.

Infelizmente, muitas vezes prometemos aquilo que não podemos cumprir. Há muitos crentes com o nome sujo na praça; compram e não pagam. Há muitos cristãos imorais e amorais. Por culpa destes, o nome de Cristo está sendo escandalizado no mundo.

 Há muitos que se dizem cristãos, mas não demonstram isso na prática. Muitos vendem o próprio corpo e a própria consciência ao diabo, e negociam o evangelho como se este estivesse à venda. Isso é abominável aos olhos do Deus Santo.

É tempo de imitarmos o Deus a quem servimos. Esse Deus não pode ser corrompido. Não é manipulável. Não aceita suborno. Não é imoral nem amoral. Não tolera injustiça. Não faz acepção. Nem é complacente com o pecado. Pois não abre exceção e nem faz concessão a ele.[6]

 O Senhor nosso Deus cumpre o que promete. Ele honra os seus compromissos e não comete vacilo. Foi dito a respeito dele em Nm 23:19: Deus não é homem para que minta, nem filho de homem para que se arrependa. Acaso ele fala, e deixa de agir? Acaso promete, e deixa de cumprir?

E a resposta é: Jamais!!!

O nosso Deus é exemplar.

O caráter perfeito de Deus é o padrão para nosso caráter e a motivação para vivermos uma vida santa[7]. Deus é nosso maior exemplo! O fundamento de toda moralidade provém da santidade dele.

O povo de Israel ouviu em Lv 11:45: Eu sou o Senhor que os tirou da terra do Egito para ser o seu Deus; por isso, sejam santos, porque eu sou santo.

O padrão continua o mesmo na nova aliança.  1 Pd 1:15, diz: Assim como é santo aquele que os chamou, sejam santos vocês também em tudo o que fizerem.

De uma ponta a outra, a Bíblia enfatiza a pureza do caráter de Deus. Ele é totalmente puro e santo!

Você que é servo e serva do Senhor, precisa saber disso: O seu pecado o ofende! Os pensamentos pecaminosos, atos ilícitos, atitudes desonestas e imorais, palavras sujas, mentiras e sentimentos impuros, insultam a Deus e impedem que você o agrade. Portanto, busque a santidade. Consagre-se. Leve Deus a sério. 

Vale à pena conhecer o caráter de Deus. Isaias é prova disso. Quando o homem vê e reconhece a santidade divina, teme e treme diante do Santo Deus. Porque conhecer quem é Deus nos leva a conhecer quem nós somos.

 Ao entender a santidade de Deus, Isaías teve consciência de sua própria impureza e miséria. Até ali, ele era um crente superficial e medíocre, mas, a partir daquele dia, Isaías passou a avançar no processo de santificação.

Em meio às aflições, o caráter de Deus pode ser conhecido. Esta é a primeira importante lição. Vamos, portanto à segunda e última:

           
Em meio às aflições a compaixão de Deus pode ser dispensada.

 Observe, por favor, os versículos 6-7: Então, um dos serafins voou para mim, trazendo na mão uma brasa viva, que tirara do altar com uma tenaz; com a brasa tocou a minha boca e disse: Eis que ela tocou os teus lábios; a tua iniqüidade foi tirada, e perdoado, o teu pecado.


            Quando dizemos que a compaixão de Deus é dispensável, nos referimos à sua distribuição, doação.

            Enxergar a compaixão de Deus em meio às aflições não é tão fácil quanto gostaríamos que fosse. Mas também não é impossível.

 Na verdade, deveríamos, sem hesitação, imitar o salmista, que, em meio à aflição da perseguição, reconheceu no Salmo 86:15: ... tu, Senhor, és Deus compassivo e cheio de graça, paciente e grande em misericórdia e em verdade.

 Contudo, as reações de cada pessoa nem sempre levam a essa atitude. Há aquelas que reagem mal e ignoram ou não percebem a compaixão de Deus, nos momentos ruins da vida.

            Um exemplo muito nítido disso é o profeta Isaías. A princípio, ele reagiu como muitos de nós, provavelmente, reagiríamos, se nos deparássemos com o glorioso Senhor, que estava assentado sobre um alto e sublime trono.

No versículo 5, ele mesmo confessa: Então, disse eu: ai de mim! Estou perdido!
É possível imaginar a agonia de Isaías. É como se ele dissesse: “chegou a minha hora! Vou morrer porque sou um pecador”.

Por não enxergar a compaixão de Deus, muitos declaram: Não há solução para o meu pecado! Eu pequei na área financeira e não há mais solução para mim! Eu furtei a minha empresa, eu roubei a Deus, fui desonesto, mereço a morte!!!
Eu pequei na área sexual! Eu traí o meu cônjuge, fui infiel a ele, mereço ser apedrejado. Não há mais saída para mim e não há mais perdão para o meu pecado.

Eu forniquei, eu roubei, eu matei, eu fui maledicente. Vou morrer!!! Só me resta juízo!!!

É assim que falamos quando não enxergamos compaixão de Deus. Por isso Isaías falou: Ai de mim! Estou perdido!

             Observando esse texto, será que é possível perceber, em Isaías, esperança na compaixão de Deus? Claro que não! Isaías esperava castigo, juízo, dor e morte. Ele esperava qualquer outra coisa, menos compaixão.

Mas entenda uma coisa: O fato de Isaías não ter enxergado a compaixão divina, não significa que ela não estava ali. Pelo contrário, esta não somente estava ali, como também contribuiu para uma enorme mudança na vida do profeta.

O fato de não enxergarmos, muitas vezes, a compaixão de Deus na hora da crise, não significa que ela não está ali. 

            Quando não enxergamos essa compaixão nas situações adversas, tendemos a olhar para Deus de maneira negativa. Visualizamos um Deus tirano e pobre de amor, cujo intento é castigar, não perdoar.

            Essa visão sobre a pessoa de Deus é errada, equivocada, mesquinha, pobre e ignorante!

Na Bíblia, alguns termos traduzem a palavra compaixão no sentido de poupar, ter piedade e misericórdia. Isaías não morreu, mesmo tendo lábios impuros, porque a compaixão de Deus o poupou.

Você não morreu, mesmo tendo lábios impuros, coração impuro, mãos impuras, olhos impuros, porque a compaixão de Deus te poupou!

            Quem foi Isaías? Sabemos que ele foi um eficiente profeta de Deus e pertencia à família real. Há ainda a possibilidade de ele ter sido um sacerdote.

Pois bem, tendo Isaías tais qualificações, o que as pessoas poderiam esperar dele? Sem dúvida, um caráter íntegro, lábios puros.

São qualidades assim que esperamos encontrar naqueles que nos representam espiritualmente e até mesmo politicamente.
Mas diante de Deus Isaías disse: Ai de mim! Estou perdido! Porque sou um homem de lábios impuros.
Muitos, ao se depararem com estas palavras, diriam: “Que decepção! Isaías caiu no meu conceito!”.
            Nos juntemos e lancemos pedras nele até que morra! Joguemos esse herege na cova de leões! Queimemo-lo na fornalha mais ardente que tivermos!
           
            Sim, ele poderia cair no conceito de muitos, mas não no de Deus.

Quem confessa sinceramente os seus pecados ao Senhor, agrada-o. A confissão de Isaías é real. Ele, de fato, se achava indigno de estar na presença do Rei dos reis. Isaías não era tão santo quanto os serafins que ele visualizara. Ele tinha lábios impuros porque o seu coração era impuro.  

Mas Isaías não estava na presença de um Deus ditador. Ele não estava contemplando a um Deus egoísta, que se importa com sacrifícios e ignora a misericórdia.

Isaías estava na presença do Deus que dispensa compaixão; do Deus que se importa com gente, com ser humano!

Eu estou falando do Deus que se importa comigo! Que se importa contigo meu amado!
O nosso Deus não é igual a Moloque que recebia crianças vivas em suas mãos de ferro, ardendo em brasa.

O Deus de Isaías é o Deus que se importa! O nosso Deus é o Deus que se importa! Ele age em nosso favor!
           
            O versículo 6a do capítulo 6 de Isaías, diz: Então, um dos serafins voou para mim. Esse pequeno trecho, por mais curto que seja e por mais despercebido que passe, muitas vezes, aos nossos olhos, diz-nos muita coisa. Entenda: tudo o que foi escrito, para o nosso ensino foi escrito.

            Considere um fato essencial do texto: um serafim voou ao encontro de Isaías.
Alguém poderia afirmar que a atitude de aproximar-se de Isaías não foi diretamente de Deus, mas do serafim.
Mas a verdade é que nenhum ser angelical está acima do Criador. Todos são submissos a Deus e cumprem as suas ordens. Portanto, embora não esteja explícito no texto, certamente, o serafim foi ao encontro do profeta, por ordem de Deus.
Em outras palavras, Deus tomou a atitude de se aproximar de Isaías.

            Deus não se esconde do ser humano, quando este está passando no meio de uma tempestade de dor.

            Na hora do perigo, batemos de porta em porta em busca de socorro, e elas se fecham agressivamente em cara. Mas Deus não fecha a porta para nós.

Deus não foge de nós, como alguém que se afasta de um leproso para não ser contaminado. Deus se compadece e tem prazer em mudar a nossa situação.

Eu não sei em que situação você veio a esta assembléia. Pode ser que você esteja com o coração em pedaços e com a sua vida espiritual toda bagunçada.

Se é esta a sua condição, acredite: Deus não vai fechar a porta pra você. Ele pode mudar a sua situação para melhor!

Isaías era um homem aflito por causa de seus pecados, um ser humano que se achava indigno de estar na presença do Deus santo. Mas o Senhor veio ao seu encontro.

É o encontro espetacular do ilimitado com o limitado, do Criador com a sua criatura. Por ser Deus de compaixão, ele se importa com a santificação e com a salvação dos seus filhos.

Deus nos trata de modo incomum.

            O serafim não foi ao encontro de Isaías com as “mãos vazias”. Isaías viu o serafim indo ao seu encontro, levando na mão uma brasa viva, que tirara do altar com uma tenaz.

Se já não soubéssemos o conteúdo do versículo 7, ficaríamos por demais curiosos para saber a finalidade daquela brasa ardente.

Uma curiosidade revestida de uma dose considerável de medo deve ter mexido com a mente do profeta. Mal sabia ele que o tratamento divino para a sua alma estava a caminho.

            Mas Deus não tinha em mente um tratamento comum para Isaías. O Senhor poderia ter usado as mesmas palavras proferidas por Cristo a um paralítico: Estão perdoados os teus pecados.

Isso mesmo, com apenas algumas palavras, Deus poderia tratar aquele pecador; o pecado seria expurgado de seu corpo e ele se tornaria uma nova criatura. Mas não. Deus queria tratá-lo de outro modo.

O seu tratamento pode ser o mesmo para algumas pessoas, mas não para todas. Então, Isaías declara: ... com a brasa tocou a minha boca

            Que tratamento doloroso! Que aflição! Os lábios de Isaías devem ter ardido de dor!

Onde estava a compaixão divina?- ele poderia perguntar!

Talvez não seja tão fácil enxergar a compaixão do Senhor na rigidez de como ele, às vezes, nos trata, mas é possível enxergá-la no propósito de seu tratamento.

Deus quer nos curar! Ele lida com os nossos pecados de modo firme. Nem sempre gostamos ou aprovamos a forma de como ele trabalha em nós, mas precisamos aceitá-la, porque os métodos dele são sempre eficazes em nosso benefício.

            O resultado da confissão de Isaías e do tratamento produzido pelo Senhor não poderiam ter sido melhores: Perdão. Este era o propósito de Deus para Isaías.

Este é o propósito dele para nós também. Após tê-lo tocado com a brasa, o serafim disse-lhe no v.7: Eis que ela tocou os teus lábios; a tua iniqüidade foi tirada, e perdoado, o teu pecado.

É possível imaginarmos a alegria de Isaías! Nesse versículo, percebemos, de modo ainda mais nítido, a compaixão de Deus.
            Essa experiência foi fundamental na vida do profeta. Ela marca um recomeço de vida para ele.

Antes, a sua iniquidade o havia impedido de alguns privilégios espirituais, pois, de que forma poderiam os lábios impuros repetir o hino angélico?

Mas agora tudo mudou! Deus o perdoou e renovou as suas forças! Ele se tornou alvo da compaixão do Senhor!

            Há coisas que o ser humano pode fazer por si mesmo, mas há outras que somente Deus pode fazer por ele. Isaías sabia disso muito bem. Ele era ciente de que era o fogo de Deus que purificava.

A nossa restauração não está alicerçada em obra humana, mas divina. Por ser compassivo, Deus aceita a confissão de um pecador, importa-se com ele e trata as suas feridas espirituais.

Por ser compassivo, Deus restaura pessoas anêmicas espirituais e pastores em crise ministerial.

Por ser compassivo, Deus restaurou Isaías. A compaixão divina é atual e vale para nós, também. Portanto, em meio às aflições, a compaixão de Deus pode ser dispensada!

Chegamos à conclusão desta mensagem. Mais consciência do caráter e da compaixão de Deus é a nossa proposta para hoje.

O caráter de Deus pode ser conhecido! Deus é santo, justo, honesto. Ele hoje não nos trouxe aqui por acaso. Quando se tem consciência de que Deus é essencialmente santo, não resta fazermos outra coisa a não ser imitá-lo.

Se nas aflições tivermos mais consciência do caráter de nosso Deus, nas aflições não aceitaremos suborno contra o inocente,
não nos apossaremos daquilo que não nos pertence,
não falaremos palavras torpes,
não usaremos de má fé para com as pessoas e não ludibriaremos os incautos! Pelo contrário, agiremos com honestidade e justiça.

Deus é o nosso espelho, o nosso modelo!

A compaixão de Deus pode ser dispensada. Deus é compassivo, misericordioso e bom.

Se nas aflições tivermos mais consciência da compaixão de Deus, nas aflições também entenderemos que não estamos sós,
que somos aceitos por Cristo,
que o nosso Deus nos ama,
que ele não nos joga fora, apesar do pecado que outrora cometemos.

Quando se tem consciência da compaixão de Deus, não há como não se constranger com o seu amor e não ser impulsionado a usar de compaixão para com o pecador em volta.

Tenha mais consciência do caráter e da compaixão de Deus, e tenha uma vida voltada para a glória dele! Amém!

 Obs:  Este sermão é uma adaptação realizada por Jailton Sousa Silva, do conteúdo do livro "AS DÁDIVAS DAS AFLIÇÕES: o resultado do sofrimento na santificação", o qual foi produzido pelo DEC (Departamento de Educação Cristã) da IAP.




[1] Grudem (1999:335). 
[2] Champlin (2000:2807).
[3] Erickson (1997:118).
[4] Berkhof (2007:71).
[5] Erickson (1997:119).
[6] Lopes (1999:43).
[7] Erickson (1997:119).

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Aspectos de uma carta de amor

Que a paz de Cristo esteja com você, querido internauta. Hoje abordaremos o tema: Aspectos de uma carta de amor. Para isso, lhe convido a acompanhar a leitura de 1 João, capítulo 3, versículo 14, primeira parte, que diz:

 Sabemos que já passamos da morte para a vida porque amamos nossos irmãos.

 Certamente, todos nós gostamos de receber uma carta das pessoas que amamos. Em meio a tantos recursos tecnológicos, a velha carta não perdeu o seu charme. Diferentemente dos demais recursos, a carta escrita parece expressar melhor o sentimento de uma pessoa para com outra. É isso mesmo, uma carta de amor é o grito do coração na ponta de uma caneta; é um perfume para as narinas, uma arte para os olhos e uma canção para os ouvidos!
       A epístola de 1 João é uma carta endereçada a um povo amado por Deus. É uma verdadeira carta de amor. O capítulo 3, que é a base desse sermão, começa, continua e termina falando de amor. Porém, o amor aqui mencionado vai além de um romantismo barato, pois trata-se de um amor que tudo sofre e suporta.
Portanto, veremos três aspectos desta carta de amor, com base neste capítulo.

Em primeiro lugar,               
1.           em uma carta de amor, há uma certeza Incontestável                                                                                                
  O versículo 1, diz: Vejam como é grande o amor que o Pai nos concedeu: sermos chamados filhos de Deus, o que de fato somos!
     Qual é a certeza incontestável? Somos filhos de Deus!
João quer deixar isso bem claro aos destinatários da sua carta. A expressão filhos de Deus aparece quatro vezes neste capítulo. Duas no vers. 1; uma no vers.2 e no vers. 10.
      Hoje, os destinatários dessa carta somos nós. O Espírito Santo quer que entendamos, de uma vez por todas, que somos filhos Deus. Que somos diferentes! Que não mais nos deleitamos naquilo que é mal, porque somos filhos de um Deus que é bom.
       Não mais pertencemos ao mundo. É por isso que este não nos conhece. É por isso que o mundo nos odeia. Não fazemos parte da sua panelinha. Não pertencemos a ele. Os que são do mundo não seguem princípios divinos, não conseguem ser santos porque não são filhos de Deus, mas do Diabo. O mundo não conhece a Deus, mas nós o conhecemos. Sabemos que ele é justo, fiel, misericordioso, soberano, amoroso e que os anjos, querubins e serafins o adoram noite e dia e clamam com todo vigor dizendo: Santo, Santo, Santo é o Senhor!
       Nós somos filhos de Deus por adoção. Antes não passávamos de simples “criaturas”. Mas Deus, através do seu Filho Jesus, entrou no orfanato espiritual onde vivíamos, nos arrancou de lá e nos trouxe para a sua maravilhosa luz! Ele nos adotou como filho!
      Qual a razão de tudo isso? O amor do Pai. É isso que João fala no início do v.1: Vejam como é grande o amor que o Pai nos concedeu. Foi por amor que Deus enviou o seu Filho para ser morto. Foi por amor que Jesus se tornou homem. Que humilhação! Aos olhos dos Ateus, dos críticos e dos intelectuais desse mundo, é inadmissível Deus se tornar homem! Isso seria insano! Sem coerência! Como um ser ilimitado preferiria ser tão limitado a ponto de sentir dores, cansaço, fadiga, tristeza, medo e ainda experimentar a morte?
       O mundo pode pensar que o fato de Jesus morrer por nós, foi uma atitude insana. Mas nós sabemos que há uma explicação mais lógica: Amor. Ele nos amou de tal maneira! Nunca conseguiremos explicar a dimensão do amor de Cristo por nós, mas acredite: ele não tem fim!
 Querido internauta, por amor, não mais estamos órfãos. Por amor, não estamos sozinhos no mundo. Temos um abrigo, uma fortaleza, uma direção. Temos um Pai que nos ama mais do que tudo neste mundo! Esta é uma certeza incontestável: somos filhos de Deus!

Em segundo lugar,

2.    em uma carta de amor, há um alerta oportuno

       No versículo 9, na versão Almeida Revista e Atualizada, está escrito: Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática de pecado; pois o que permanece nele é a divina semente; ora, esse não pode viver pecando, porque é nascido de Deus.

Qual o alerta oportuno? Não vivam no pecado.
O capítulo 3 de 1 João é um inimigo declarado do pecado.
- No versículo 4, João diz que o pecado é a transgressão da lei.
- No versículo 5, ele afirma que em Deus não existe pecado, e que ele se manifestou para destruí-lo.
- No versículo 6, ele diz que quem está em Deus não vive pecando; e quem vive pecando, não conhece o Senhor.
- No versículo 8, ele fala duramente que, quem vive no pecado, procede do Diabo, pois este vive pecando.
- No versículo 9, ele afirma que os que são nascidos de Deus, não podem viver na prática do pecado.

Aqui, João está mostrando de qual lado ele está e deixa claro que ele odeia, com todas as suas forças, o pecado. O pecado é um veneno que mata, em fração de segundos, a nossa alma. Ele pode lançar, água a baixo, tudo o que conquistamos durante anos! É uma estrada para a morte, um acesso fácil para a perdição. O pecado nos dá riquezas, mas traz, junto com ela, choro, amargura, dor, perdas!
O pecado nos dá prazer, mas também nos dá uma enfermidade incurável e nos lança num poço de miséria. Para muitos o pecado torna-se um caminho sem volta, uma areia movediça, um campo minado.
João sabia disso. Ele sabia da desgraça que o pecado provoca numa família. Ele sabia dos danos que o pecado provoca na vida conjugal das pessoas.
Ele sabia que milhares de jovens seriam maquetes nas mãos do Diabo.
Quando o apóstolo afirma que o que é nascido de Deus não pode viver pecando, ele não está afirmando necessariamente que nós não pecamos. Todos somos pecadores e não há como negar esse fato.
Ele está dizendo que os que são nascidos de Deus têm forças para lutar contra o pecado, para dizer “não” as tentações do sexo antes do casamento, do adultério, da corrupção, da maledicência e da mentira! Não podemos evitar conviver em meio ao pecado, mas temos autoridade para não sermos dominados por ele.
      Tomemos cuidado com o pecado. Ele não é brincadeira. Ele pode parecer agravável aos olhos, mas é um assassino disfarçado de bom moço.
      Mas não desanimemo-nos. Nós podemos vencê-lo. Cristo venceu o pecado e por intermédio dele, podemos derrotá-lo porque maior é o que está em nós do que o que está no mundo! Podemos ser santos.

Em terceiro lugar,

3.    em uma carta de amor, há uma mensagem singular

O versículo 11, afirma: Esta é a mensagem que vocês ouviram desde o princípio: que nos amemos uns aos outros.  

     No capítulo 3 de 1 João, o amor é bem enfatizado. Não é a toa que João é conhecido como o discípulo do amor. Nos versículos 11-24, ele nos deixa uma mensagem singular: a mensagem do amor. 
    Qual a razão de João ser tão repetitivo em relação ao amor? É simples: ele não quer que os crentes esqueçam-se de amar. O amor deve ser uma lembrança viva em nossas mentes. Aqui, o amor é primordial. Não deve ser um mito ou uma teoria, mas uma prática constante. O amor não é opcional, mas uma ordem de Cristo. Foi ele quem disse: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.
      Quem ama perdoa. Falaram mal de você, puxaram o seu tapete junto ao chefe, lhe acusaram injustamente de algo que você não fez, traíram a sua confiança, te abandonaram quando você mais precisou, te desprezaram quando gritou por socorro. Qual a sua atitude? Perdão. Perdoe a quem lhe agrediu e busque o perdão de quem você ofendeu. Quem perdoa e pede perdão, vence a Satanás.
     Quem ama ajuda. O versículo 17 diz que devemos dar comida aos famintos. O apóstolo do amor está nos sugerindo a generosidade para com os necessitados.
    João também diz que quem não ama, é homicida. O apóstolo deixa isso bem claro na primeira parte do versículo 15, que diz: Todo aquele que odeia a seu irmão é assassino. Se o ódio tomar conta do nosso coração, peçamos urgentemente a misericórdia de Deus sobre a nossa vida, porque alguma coisa está errada. Não pode haver rancor em nós! Se tivermos de odiar, odiemos o pecado, porém, os nossos irmãos, jamais!
     Se você está vivendo em meio a um relacionamento conturbado pelo ódio, pela agressão verbal, pela troca de “farpas”, mude a sua atitude e busque ao Deus de amor. Não busque a vingança, não seja como Caim que assassinou covardemente o seu irmão.
        Querido internauta, não mais somos deste mundo. Somos filhos de Deus. A nossa luta não é contra nós mesmos. A nossa guerra vai além da carne e do sangue, pois é contra as forças do mal.
   Não acusemos as pessoas sem motivos e sem provas concretas. Tenhamos o cuidado de não agredir ao próximo com palavras. Não fechemos a mão para o necessitado. Amemo-nos uns aos outros!
      Amemo-nos uns aos outros sem nos importar com as aparências e sem nos importar com as condições. Amemo-nos uns aos outros porque o nosso maior exemplo de amor é Cristo. Amemo-nos uns aos outros porque ele nos ensinou a amar. Amemo-nos uns aos outros porque somos frutos do amor, sublime amor de Deus.

Chegamos à conclusão deste sermão.
Que esta carta de amor, escrita por João, lhe ajude na certeza de que você é filho e filha de Deus. Ele cuida de você. Ele protege você, pois é o seu Pai.

Que esta carta de amor, lhe ajude a entender o alerta de Deus sobre o pecado. Cuidado com ele. Brincar com pecado é brincar com fogo, e quem brinca com fogo pode se queimar e se ferir. Não brinque, lute contra ele.

Que esta carta de amor lhe ajude a amar mais. Amar sem preconceitos. Deus é amor.

Que o Senhor o abençoe. Amém.

Miss. Jailton Sousa Silva