terça-feira, 9 de agosto de 2011

Amor, uma mensagem oportuna



Esta é a mensagem que vocês ouviram desde o princípio: que nos amemos uns aos outros.  (1 Jo 3:11-NVI)

     No capítulo 3 de 1 João, o amor é bem enfatizado. Não é a toa que João é conhecido como o discípulo do amor. Nos versículos 11-24, ele nos deixa uma mensagem singular: a mensagem do amor. 

    Qual a razão de João ser tão repetitivo em relação ao amor? É simples: ele não quer que os crentes esqueçam-se de amar. O amor deve ser uma lembrança viva em nossas mentes. Aqui, o amor é primordial. Não deve ser um mito ou uma teoria, mas uma prática constante. O amor não é opcional, mas uma ordem de Cristo. Foi ele quem disse: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.

      Quem ama perdoa. Falaram mal de você, puxaram o seu tapete junto ao chefe, lhe acusaram injustamente de algo que você não fez, traíram a sua confiança, te abandonaram quando você mais precisou, te desprezaram quando gritou por socorro. Qual a sua atitude? Perdão. Perdoe a quem lhe agrediu e busque o perdão de quem você ofendeu. Quem perdoa e pede perdão, vence a Satanás.

      Quem ama ajuda. O versículo 17 diz que devemos dar comida aos famintos. O apóstolo do amor está nos sugerindo a generosidade para com os necessitados.

    João também diz que quem não ama, é homicida. O apóstolo deixa isso bem claro na primeira parte do versículo 15, que diz: Todo aquele que odeia a seu irmão é assassino. Se o ódio tomar conta do nosso coração, peçamos urgentemente a misericórdia de Deus sobre a nossa vida, porque alguma coisa está errada. Não pode haver rancor em nós! Se tivermos de odiar, odiemos o pecado, porém, os nossos irmãos, jamais!

     Se você está vivendo em meio a um relacionamento conturbado pelo ódio, pela agressão verbal, pela troca de “farpas”, mude a sua atitude e busque ao Deus de amor. Não busque a vingança, não seja como Caim que assassinou covardemente o seu irmão.

      Querido, não mais somos deste mundo. Somos filhos de Deus. A nossa luta não é contra nós mesmos. A nossa guerra vai além da carne e do sangue, pois é contra as forças do mal.

       Não acusemos as pessoas sem motivos e sem provas concretas. Tenhamos o cuidado de não agredir ao próximo com palavras. Não fechemos a mão para o necessitado. Amemo-nos uns aos outros!

      Amemo-nos uns aos outros sem nos importar com as aparências e sem nos importar com as condições. Amemo-nos uns aos outros porque o nosso maior exemplo de amor é Cristo. Amemo-nos uns aos outros porque ele nos ensinou a amar. Amemo-nos uns aos outros porque somos frutos do amor, sublime amor de Deus.

Ms. Jailton Sousa Silva

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Cristo, a esperança de resgate.

Observe o relato: “Nunca perdi a esperança de ser resgatado”. Estas palavras foram proferidas pelo pescador Zenildo de Oliveira Pacheco, de 31 anos de idade. Ele estava se referindo aos momentos turbulentos em que passou com outros cinco pescadores. Foram nada menos que 23 dias à deriva, em alto mar. Eles saíram de Itapemirim, no Espírito Santo, passaram em Cabo Frio, na região dos Lagos, no Rio de Janeiro, para abastecer e previam voltar para casa no dia 4 de junho, após 12 dias de viagem na área da Bacia de Campos.[1] Contudo, as coisas não saíram conforme o esperado. A volta para casa deve de ser prolongada. Isso porque o barco em que estavam, a saber, o pesqueiro Witamar 3° de 12,5 m de comprimento e 4 m de largura, foi atingido por uma onda de aproximadamente 10 m de altura. Não teve jeito, o sistema elétrico do barco não agüentou o impacto do temporal e deu pane.
O sistema elétrico deu pane e os tripulantes, possivelmente, ficaram em pânico.  O mar é um ambiente pouco visitado, em comparação com a terra firme. Iniciava-se, então, um longo período de sofrimento, nunca antes vivido por nenhum deles. Os dias foram se passando, e a escassez de alimento e de água, aos poucos, agravavam ainda mais a situação. Zenildo ainda relembra: “...Não tinha água. Tivemos que tomar urina. No final das contas, a gente estava fraco, se arrastando e não aguentava andar mais. Alguns queriam até mesmo se suicidar pelo sofrimento”.[2] Que situação caótica! Àquela altura, não havia outra possibilidade de sobrevivência para eles, a não ser, a de um resgate. Eles bem que poderiam ser resgatados há menos tempo se uma das várias embarcações que passaram perto do grupo os tivessem avistado. “Agente estava praticamente invisível”,[3] afirma Zenildo.
Essa angustiante história teve um final feliz. Os pescadores, finalmente, foram resgatados por um navio mercante de bandeira italiana, no dia 27 de junho. Este triste acontecimento nos faz recordar de um lamentável fato ocorrido no início da história humana. Homem e mulher eram seres completamente puros, sem pecado. Até que um dia, ambos causaram a maior pane em suas vidas. Eles desobedeceram a Deus, e, como conseqüência disso, tiveram de amargar o sofrimento e a morte (Gn 3:16-19). Desse modo, Adão e Eva juntamente com todos os seus descendentes estavam perdidos. Paulo observa que estávamos mortos em nossos delitos e pecados (Ef 2:1).
Precisávamos de um resgate. Mas não havia um resgatador com competência suficiente para pagar o preço por nossos pecados. Foi então que o amor de Deus se manifestou, enviando ele o seu Filho único em nosso resgate (Jo 3:16). Acerca de Cristo, Paulo afirma: Ele vos deu vida... (Ef 2:1). Portanto, não adianta procurar saída aonde não tem. Muitos buscam refúgio no ateísmo, no budismo, no islamismo e em outras religiões que ignoram o poder salvífico de Cristo. Mas isso de nada valerá. Jesus é o único caminho para o Pai (Jo 14:6). Não tenhamos dúvida: Somente ele veio buscar e salvar os perdidos (Lc 19:10). Cristo é a única esperança de resgate para os perdidos desse mundo.
Mis. Jailton Sousa Silva

quinta-feira, 14 de julho de 2011

UMA CERTEZA INCONTESTÁVEL

                                                                                              
  Vejam como é grande o amor que o Pai nos concedeu: sermos chamados filhos de Deus, o que de fato somos! (1 João 3:1-NVI).

     É obvia a preocupação do apóstolo João em enfatizar que somos filhos de Deus. Esta é por si só, uma certeza incontestável. Ele quer deixar isso bem claro aos destinatários da sua carta. A expressão filhos de Deus aparece quatro vezes neste capítulo. Duas no vers. 1; uma no vers.2 e no vers. 10.
      Hoje, os destinatários dessa carta somos nós. O Espírito Santo quer que entendamos, de uma vez por todas, que somos filhos Deus. Que somos diferentes! Que não mais nos deleitamos naquilo que é mal, porque somos filhos de um Deus que é bom.
       Não mais pertencemos ao mundo. É por isso que este não nos conhece. É por isso que o mundo nos odeia. Não fazemos parte da sua panelinha. Não pertencemos a ele. Os que são do mundo não seguem princípios divinos, não conseguem ser santos porque não são filhos de Deus, mas do Diabo. O mundo não conhece a Deus, mas nós o conhecemos. Sabemos que ele é justo, fiel, misericordioso, soberano, amoroso e que os anjos, querubins e serafins o adoram noite e dia e clamam com todo vigor dizendo: Santo, Santo, Santo é o Senhor!
       Nós somos filhos de Deus por adoção. Antes não passávamos de simples “criaturas”. Mas Deus, através do seu Filho Jesus, entrou no orfanato espiritual onde vivíamos, nos arrancou de lá e nos trouxe para a sua maravilhosa luz! Ele nos adotou como filho!
      Qual a razão de tudo isso? O amor do Pai. É isso que João fala no início do v.1: Vejam como é grande o amor que o Pai nos concedeu. Foi por amor que Deus enviou o seu Filho para ser morto. Foi por amor que Jesus se tornou homem. Que humilhação! Aos olhos dos Ateus, dos críticos e dos intelectuais desse mundo, é inadmissível Deus se tornar homem! Isso seria insano! Sem coerência! Como um ser ilimitado preferiria ser tão limitado a ponto de sentir dores, cansaço, fadiga, tristeza, medo e ainda experimentar a morte?
       O mundo pode pensar que o fato de Jesus morrer por nós, tenha sido uma atitude insana. Mas nós sabemos que há uma explicação mais lógica: Amor. Ele nos amou de tal maneira! Nunca conseguiremos explicar a dimensão do amor de Cristo por nós, mas acredite: ele não tem fim!
       Querido, por amor, não mais estamos órfãos. Por amor, não estamos sozinhos no mundo. Temos um abrigo, uma fortaleza, uma direção. Temos um Pai que nos ama mais do que tudo neste mundo! Esta é uma certeza incontestável: somos filhos de Deus!

Ms. Jailton Sousa Silva


terça-feira, 12 de julho de 2011

ÁUDIO DA LIÇÃO BÍBLICA: VAMOS RECONSTRUIR.

Ouça o áudio das lições clicando nos links correspondentes.


01. Sem indiferença!                               http://www.iapro.com.br/podcast/296-1.mp3

02. Deus está no controle!                      http://www.iapro.com.br/podcast/296-2.mp3

03. Muito trabalho pela frente.               http://www.iapro.com.br/podcast/296-3.mp3

04. Planejar é preciso.                              http://www.iapro.com.br/podcast/296-4.mp3

05. Intriga da oposição.                                   http://www.iapro.com.br/podcast/296-5.mp3

06. Como lidar com a injustiça social?                                                  http://www.iapro.com.br/podcast/296-6.mp3

07. Triunfo em meio às calúnias.                                                       http://www.iapro.com.br/podcast/296-7.mp3

08. Reorganizando a comunidade.                                                   http://www.iapro.com.br/podcast/296-8.mp3

09. Reavivamento através da Escritura.                                               http://www.iapro.com.br/podcast/296-9.mp3

10. Recordar para crescer.                                                                    http://www.iapro.com.br/podcast/296-10.mp3

11. Assumindo compromissos.                                                                http://www.iapro.com.br/podcast/296-11.mp3

12. É hora de celebrar!                                                                            http://www.iapro.com.br/podcast/296-12.mp3

13. Sempre reformando.                                                                                  http://www.iapro.com.br/podcast/296-13.mp3 


Este e outros recursos podem ser encontrados no site: http://portaliap.com.br/licoes_biblicas.php

segunda-feira, 11 de julho de 2011

A CURA DE DEUS PARA O AFLITO

Salmo 34

INTRODUÇÃO: A paz do Senhor Jesus a todos os irmãos e irmãs! Peço, por favor, que abramos as nossas bíblias no livro de Salmos. Vamos ler salmo 34, nos versos 1 a 9, que será o texto base da mensagem desta manhã. Na versão Almeida Revista e Atualizada, está escrito assim:

Bendirei o Senhor em todo o tempo, o seu louvor estará sempre nos meus lábios. Gloriar-se-á no Senhor a minha alma; os humildes o ouvirão e se alegrarão. Engrandecei o Senhor comigo, e todos, à uma, lhe exaltemos o nome. Busquei o Senhor, e ele me acolheu; livrou-me de todos os meus temores. Contemplai-o e sereis iluminados, e o vosso rosto jamais sofrerá vexame. Clamou este aflito, e o Senhor o ouviu e o livrou de todas as suas tribulações.  O anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que o temem e os livra. Oh! Provai e vede que o Senhor é bom; bem-aventurado o homem que nele se refugia. Temei o Senhor, vós os seus santos, pois nada falta aos que o temem.
                      
Estamos iniciando, hoje, para glória de Deus e para a edificação da igreja, o nosso Projeto de Oração 2011. Durante o mês de agosto, aos sábados, teremos uma série de mensagens intitulada “A cura de Deus para a alma: O tratamento divino para os problemas existenciais do ser humano”. Para este sábado, o tema de nossa reflexão é “A cura de Deus para o aflito” e a nossa base é salmo 34. Esse poema é autobiográfico. Davi relata um fato ocorrido em sua vida. Ele havia passado por uma terrível experiência, na qual se sentiu muito aflito e angustiado.
O contexto deste salmo, de acordo com o seu título, é 1 Samuel 21:10.
Davi, ainda jovem, estava sendo perseguido pelo rei Saul, e, num ato desesperado, foi se esconder no território inimigo, em Gate, terra dos filisteus. Não demorou muito e ele foi descoberto pelos filisteus. Estes passaram também a persegui-lo e logo o pegaram. Imagine a angústia deste home, pois fugindo do maligno Saul, ele caiu nas garras de inimigos piores. Diante da morte iminente, Davi entrou em pânico e, em outro ato de desespero, fingiu-se de louco. Contudo, Deus nunca abandona os seus. Na aflição, o Senhor o libertou da mão dos seus algozes e sarou o seu coração aflito. Esse salmo “é um canto de libertação do temor, do perigo, das angustias e aflições”.[1]
Meu irmão, se sua alma está ferida e cansada por causa das angústias da vida, Deus tem cura para você! No salmo 34, o salmista nos revela quatro segredos para o aflito experimentar a cura de Deus. Vamos ao primeiro:

1. O AFLITO DEVE CLAMAR AO SENHOR

A vida de Davi esteve por um triz, mas Deus trouxe a ele um escape milagroso. Depois do livramento, o salmista deseja compartilhar a sua experiência. No verso 2, ele está convicto: ... os humildes o ouvirão e se alegrarão. Essa palavra “humildes”, aqui, é a tradução da uma palavra hebraica (anav), que também significa “aflitos”.[2] Por isso, na NVI, está traduzida por: ouçam os oprimidos e se alegrem (NVI), ou seja, Davi se dirige àqueles que estão passando por crises, assim como ele havia passado. Quer que eles ouçam o seu testemunho e se alegrem em Deus.
A mensagem é para os humildes ou aflitos, isto é, aqueles que se encontram junto à base do monturo da vida, aguardando, com paciência, a solução no Senhor.[3] É como se Davi dissesse: Alegrem-se! Esta minha experiência também pode ser a de vocês! Algo interessante é que este salmo é um poema acróstico, ou seja, cada estrofe começa com uma letra do alfabeto hebraico. Ele é, literalmente, o “abecedário” do aflito. É o kit de sobrevivência para o dia da tribulação ou dia da angústia. Aqui, o salmista compartilha os segredos de sua vitória. Mostra como alcançou a cura.
E qual é o primeiro segredo? Ele diz: Busquei o Senhor, e ele me acolheu; livrou-me de todos os meus temores (Sl 34:4). Depois, completa: Clamou este aflito, e o Senhor o ouviu e o livrou de todas as suas tribulações (Sl 34:6). Se desejamos que Deus trate o nosso atribulado coração é preciso orar. Temos aqui 3 aspectos a serem destacados. O primeiro é: o privilégio humano na oração. O salmista diz: Busquei (...) ele me acolheu; clamou (...) o Senhor o ouviu. Isso não só privilégio de Davi, nós também podemos orar em qualquer momento e Deus nos ouve. Você consegue imaginar o privilégio que nos é concedido? Podemos pedir o que precisarmos, diretamente a Deus!
Não é preciso preencher nenhum cadastro antes, nem agendar horário com nenhuma secretária. Podemos entrar direto na sala do trono e falar com o Rei dos reis e lançar diante dele toda nossa ansiedade. Que privilégio! O segundo aspecto é: a resposta divina na oração. O salmista diz: Ele (...) livrou-me de todos os meus temores (...) de todas tribulações. Deus sempre ouve nossas orações. E o que é melhor: ele responde todas elas! Às vezes, a resposta não é aquela que gostaríamos de ouvir, mas ele sempre responde. O Pai tem prazer em atender as orações de seus filhos, especialmente quando eles estão sofrendo e precisando de sua ajuda.
O terceiro aspecto é: o valor terapêutico na oração. O salmo afirma: Ele me livrou! O perigo nos deixa com medo. A aflição causa ansiedade e tristeza. A nossa alma desfalece adoentada, mas a oração lhe traz a cura. Na oração, somos acolhidos por Deus e libertos de todo medo. O crente não deve buscar a solução em livros de auto ajuda, mas deve buscar ajuda do alto. Muitos cristãos se desesperam em meios às tempestades, porque não aprenderam a sentar no divã de Deus e deixar-se tratar por ele. Meu irmão, ao invés de ficar murmurando, desabafe em oração! Reconheça que você precisa da ajuda de Deus. Ore assim: Senhor, cure a minha alma!
Esse é o primeiro segredo para desfrutarmos do tratamento divino para a alma aflita, ou seja, a oração. Vamos ao segundo segredo:

2. O AFLITO DEVE CONTEMPLAR O SENHOR

Observe o verso 5: Contemplai-o e sereis iluminados, e o vosso rosto jamais sofrerá vexame. Muitos pensam que, por sermos filhos de Deus, todos os nossos dias devem ser parecidos com tardes de verão: alegres, quentes e iluminados. Contudo, essa não é nossa a realidade. Existem dias, em nossas vidas, que são mais semelhantes às manhãs de inverno: frios e sombrios. Irmãos, a vida cristã não é redoma de vidro, em que ficamos imunes aos dilemas da vida. A Bíblia nunca nos prometeu ausência de problema. Enfrentaremos, sim, dias chuvosos, horas difíceis e momentos de tribulações.
Aquela experiência vivida por Davi começou como uma manhã chuvosa e escura. Contudo, ao continuar seu relato, ele conta que, num dado momento, tudo mudou. A dor deu lugar à cura; a tristeza foi transformada em alegria; a guerra foi mudada em paz; a chuva deu lugar ao sol e um belo arco-íris surgiu em seu horizonte. Quando isso aconteceu? O salmista registra o momento exato: Foi quando ele olhou para o Senhor. Agora, ele ensina o segredo: Contemplai-o e sereis iluminados (Sl 34:5). Quando contemplamos o Senhor, tudo se ilumina. E névoa do nosso coração é dissipada e a cura acontece.
Isso não depende tanto das circunstâncias, mas depende muito da nossa atitude diante delas. Se você ficar olhando para os problemas, ficará ainda mais angustiado. Se olhar para si mesmo, vai desistir, diante do primeiro obstáculo. Mas, se focar sua atenção em Deus, tudo se iluminará. Quem sabe estou falando com alguém, aqui, que está vivendo uma história que não começou bem? Você olhou a previsão do tempo e ela dizia: “Dia chuvoso, sujeito a tempestades e decepções? Tudo está nebuloso e você não consegue ver o caminho e nem achar uma saída? O salmista diz o que fazer: Contemplai-o e sereis iluminados (Sl 34:5).
Olhar para o Senhor é manter o foco certo. É ter a atitude correta, diante das situações adversas. Assim, ao invés de ficarmos pensando na quantidade dos problemas, passamos a pensar na grandeza do Senhor. O que acontece, quando olhamos para o Senhor? O salmista garante: ... sereis iluminados! “Iluminados” significa “irradiantes de alegria”, representa alguém sorrindo em felicidade.[4] De fato, quando olhamos para Deus, logo descobrimos que maior é o que está nós do aquele que está no mundo. O nosso coração se tranquiliza. Quando entendemos quem é Deus e vemos que ele está na direção de nossa vida, os nossos medos vão embora e tudo se ilumina.
Essa é uma grande verdade. Todos os que contemplam a Cristo, pela fé, são iluminados. Expressões carrancudas são transformadas em sorrisos de alegria; depressão e desespero abrem caminho para a esperança, pois aquele que “entrega a vida ao Senhor nunca é desapontado. O Senhor não decepciona o coração confiante.” [5] Mas, infelizmente, no mar da vida, às vezes, somos como Pedro, começamos a olhar as ondas e ventos contrários, então começamos a afundar. Quando olhamos para Cristo, porém, ele nos toma pela mão e nos diz: “Não temas!”. Em que direção ou para quem você tem olhado? Olhe para o Mestre.
Vimos, aqui, que, além orar pedindo o socorro de Deus, também é fundamental manter o foco nele. Vamos, agora, a mais um segredo para cura do aflito.

3. O AFLITO DEVE CONFIAR NO SENHOR

A palavra aflição ou tribulação aparece 3 vezes neste salmo, nos versos 6, 17 e 19. Na língua original, essa palavra significa, literalmente, “estar apertado num canto” ou “passar por um estreito, por um aperto”.[6] Ela expressa bem o que Davi passou diante do rei dos filisteus. Estava num beco sem saída. É possível que esse seja o caso de alguém que está me ouvindo hoje, aqui. O que fazer em situações assim? Só nos resta confiar no Senhor! Isso significa descansar nos cuidados dele. Deus não nos promete a ausência de lutas; porém, promete-nos algo maravilhoso. A sua palavra diz: O anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que o temem e os livra (Sl 34:7).
Observe que o texto não diz “um anjo”, mas “o Anjo do Senhor”. Os comentaristas da Bíblia explicam que a expressão “o Anjo do Senhor” refere-se a Jesus Cristo, a segunda pessoa da triunidade (cf. Js 5:13-15), o Senhor dos exércitos angelicais, que, no Antigo Testamento, visitava o seu povo, na forma pré-encarnada.[7] É o próprio Cristo que cuida de nossa segurança! Assim, o Salmo 125 faz todo o sentido, quando afirma que os que confiam no Senhor são como o monte Sião, que não se pode abalar, mas permanece para sempre (v.1). Essa estabilidade baseia-se na certeza de que como os montes cercam Jerusalém, assim o Senhor protege o seu povo, desde agora e para sempre (v.2).
Enfrentaremos dias difíceis. Contudo, nunca estaremos sozinhos. O Senhor sempre estará conosco, guardando-nos e protegendo-nos. Ele age assim porque nos ama e porque é bom. O problema é que, muitas vezes, quando chegam os infortúnios da vida: a doença, o endividamento, o desemprego, o conflito de comunicação na família, a insegurança no trabalho, a primeira coisa que fazemos é esquecer que Deus nos ama e duvidar da sua bondade. Pensamos que Deus nos abandonou e que não se importa conosco. Deixamos de confiar que ele está no controle de tudo, que é soberano. Quando agimos assim, o desespero domina nosso coração e nossa mente.
Não há nada de errado em passar por aflições. Jesus mesmo disse: Neste mundo vocês terão aflições (Jo 16:33). O erro é nos deixarmos dominar por elas, ficarmos ansiosos, desesperados e perdermos o sono e os sonhos. Por isso, o salmista, por experiência própria, nos incentiva não só a clamar e contemplar a Deus, mas também a confiar que ele tem o melhor para nós, mesmo que esse melhor seja continuar mais um pouco na tribulação. Quando cremos que o Todo-Poderoso está ao lado, quando acreditamos que está na direção da nossa vida, somos curados de toda angústia.
Com isso em mente, Davi desafia os aflitos, dizendo: Provai e vede que o Senhor é bom; bem-aventurado o homem que nele confia (v.8). É como se ele dissesse: “Se você está duvidando, experimente e você verá o quanto Deus é maravilhoso!”. Se você tem enfrentado situações de aperto na vida, confie em Deus. Se tem sangrado por dentro, por ver seu filho perder-se nas drogas, confie em Deus. Se você tem perdido o sono por causa dos problemas, confie em Deus. Se está correndo o risco de perder o seu emprego ou está desempregado, confie em Deus. Não se desespere. O Senhor pode reverter tudo isso. Experimente confiar em Deus e você verá que vale a pena.
Confiar no Senhor é o terceiro segredo revelado por Davi para a cura do aflito, no salmo 34. Vamos, agora, ao quarto e último segredo.

4. O AFLITO DEVE TEMER AO SENHOR

Por favor, olhe, em sua Bíblia, o verso 9: Temei o Senhor, vós os seus santos, pois nada falta aos que o temem. Esse verso nos faz lembrar a promessa do salmo 23, que diz: O Senhor é o meu pastor; de nada terei falta (Sl 23:1 - NVI). Contudo, no salmo 34, não temos apenas uma promessa, mas também uma ordem: Temei ao Senhor. O que significa temer ao Senhor? Significa andar com ele, respeitá-lo e obedecer a sua palavra[8]. O temor do Senhor se baseia em duas questões importantes. A primeira é saber quem nós somos e a segunda é saber quem Deus é.
Ele é o criador e nós, as criaturas; ele é o oleiro e nós somos o barro; ele é Senhor e nós somos os servos; ele é o Pastor e nós, as ovelhas. Então, devemos temê-lo e respeitá-lo. É exatamente por essa razão que lemos no, livro de Provérbios: O temor do Senhor é principio da sabedoria (Pv 9:10). O salmista explica que quem teme ao Senhor, em primeiro lugar, tem cuidado com suas palavras (v. 13).  Esse cuidado é para não murmurar contra Deus e nem falar mal dos outros. Em segundo lugar, afasta-se do mal e busca fazer o bem (v. 14a). Em terceiro lugar, busca a paz com empenho (v. 14b).
Mas o que isso tudo tem a ver com a alma ferida do aflito? É em momentos de angústias e de provação que colocamos nossa integridade em jogo. Se você não tiver cuidado, começará a reclamar da vida e murmurar contra o Senhor, ou até mesmo falar mentiras. Se você não tiver cuidado, poderá entrar em negócios escusos e se corromper; poderá negar sua fé ou abrir mão de princípios cristãos, pois, quando estamos num beco sem saída, quando vemos que o fim da linha se aproxima, às vezes, tomamos atitudes desesperadas e erradas. Jamais faça isso, meu irmão!
Prefira ter sempre Deus do seu lado. Não se rebele contra ele. Tema ao Senhor, porque ele tem compromisso com quem é compromissado com ele. O Altíssimo tem uma aliança com aqueles que se esforçam em agradá-lo. O conselho de Davi é este: “Ande com Deus, faça a vontade dele e fique tranquilo, pois ele cuidará de você”. Todavia, é bom que se diga, mais uma vez, que, em nenhum momento, neste salmo, Davi dá a entender que a vida de fé e obediência poupará os filhos de Deus de enfrentar problemas. Ele mesmo diz: O justo passa por muitas adversidades, mas o Senhor o livra de todas (Sl 34:19).
O que esse salmo nos promete é que, se invocarmos o Senhor com temor, ele pode atravessar os problemas conosco e transformá-los em bênção para nós; por meio de nós, pode ainda abençoar a outros.[9] Quem conhece a Deus e o teme, não teme mais nada neste mundo. Quem tem a consciência tranquila com Deus, não precisa ter medo; fica tranquilo, pois sabe que está seguro. Mesmo em meio às tempestades da vida, não se desespera, porque conhece o capitão do barco. Quem teme a Deus, não temerá más notícias; seu coração está firme, confiante no Senhor (Sl 112:7)

CONCLUSÃO: Leia novamente o primeiro verso deste salmo: Bendirei o Senhor o tempo todo! Os meus lábios sempre o louvarão (Sl 34:1). Essa é a conclusão a que Davi chega, após passar por essa experiência tão angustiante e ter visto o escape milagroso de Deus. Ele esteve enfermo em sua alma, mas foi curado. Meu irmão, se sua alma está ferida e cansada por causa de tantos problemas, angústias e aflições da vida, não fique desanimado, nem prostrado. Deus também tem cura para você! Siga as orientações de Davi, pois elas são inspiradas pelo Espírito Santo.
            Então, clame ao Senhor, colocando diante dele todas as suas ansiedades. Ele sempre o ouvirá! Perceba o que está registrado no verso 17: Os justos clamam, o Senhor os ouve e os livra de todas as suas angústias. Além disso, não perca Deus de vista. Pare de olhar para os problemas e olhe para Cristo. Então, a névoa da aflição se dissipará e seu rosto ficará radiante de alegria. Para ser curado é também necessário confiar no Senhor. Saiba, meu querido, que o Senhor é bom, e bem-aventurado é quem nele confia. Tema ao Senhor. Mantenha-se fiel, independentemente das circunstâncias. O Deus que cura o aflito está aqui conosco. Coloque-se agora diante dele e seja curado!

BIBLIOGRAFIA

BRUCE, F. F. Comentário Bíblico NVI: Antigo e Novo Testamento. São Paulo: Vida, 2009.

CARSON, D. A. Comentário Bíblico Vida Nova. São Paulo: Vida Nova, 2009.

CHAPMAN, Milo L. (at al). Comentário Bíblico Beacon: Jó a Cantares de Salomão. Rio de Janeiro: CPAD, 2009, vol 3.

HARRIS, R. Laird (org.). Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 1998.

MACDONALD, William. Comentário Bíblico Popular, versículos por versículo. São Paulo: Mundo Cristão, 2010.

WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo: Poéticos. São André: Geográfica, 2008.


[1] Chapman (2009:172).
[2] Harris (1998:1143).
[3] Carson (2009:767).
[4] Bruce (2009:795).
[5] Macdonald (2010:404).
[6] Harris (1998:1310).
[7] Wiersbe (2008:154).
[8] Chapman, at all (2009:174).
[9] Wiersbe (2008:155).


Sermão produzido pelo Departamento de Educação Cristã (DEC) da Igreja Adventista da Promessa.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Lidando com o desprezo

Texto bíblico: Gn 21:8-21

INTRODUÇÃO: O sermão desta manhã é a continuação da série Vidas que ensinam santidade. Algumas personagens bíblicas já foram estudadas nesta série, dentre estas: Ana (mãe de Samuel), Daniel, Davi, José (pai de Jesus), Rute e Ana, a profetisa. Hoje, através da situação vivida por Agar e Ismael, vamos tratar do assunto Lidando com o desprezo, com base no relato de Gn 21:8-21. O importante é sabermos, já de antemão, que, mais do que apresentar princípios para lidarmos positivamente com o desprezo, que aqui significa desvalorização do ser humano, nossa reflexão de hoje sobre esse texto nos levará a crescer em santidade, porque nos trará conhecimento de Deus.
Os versículos 14-21 do nosso texto-base apresentam uma cena caótica: uma escrava e seu filho são expulsos da casa dos seus senhores e passam a perambular pelo deserto, sem garantia alguma de sobrevivência. Ela fora mandada embora sem nenhuma recompensa pelos anos de serviço prestado a sua senhora; o moço teve de deixar a casa de seu pai riquíssimo com nada mais que pão e água. A situação foi tão extrema que a única saída parecia ser esperarem a morte. O que duas pessoas sedentas e famintas poderiam fazer num deserto, a não ser chorar? Mas é aí que vemos o agir direto de Deus em seu favor. Assim, a partir da ação divina em relação a Agar e seu filho, gostaríamos de apresentar a você que tem enfrentado o desprezo três princípios que fortalecerão sua confiança no Senhor e o ajudarão a crescer em santidade, enquanto lida com essa situação. O primeiro deles é:

 I. AO LIDAR COM O DESPREZO, LEMBRE-SE DA PRESENÇA DE DEUS

Talvez a maioria, aqui, já tenha ouvido ou lido, alguma vez, a respeito do envolvimento de Agar na vida de Abraão e Sara. Estes eram idosos e não tinham filhos. Mas Deus havia prometido a Abraão um herdeiro (Gn 15:3-5). Acontece que o tempo passava e o filho não vinha. Sara, ansiosa por ser mãe, tomou a iniciativa de propor a seu marido que tivesse um filho com a escrava dela, Agar. Abraão aceitou a proposta, e, assim, nasceu Ismael (Gn 16:1-4, 15). Mas, no tempo devido, Deus cumpriu a promessa de dar a Abraão e Sara o filho que eles tanto queriam. Nasceu, então, Isaque (Gn 21:1-3).
O nosso texto base diz que, quando Isaque foi desmamado, seu pai deu um grande banquete para comemorar o acontecimento (Gn 21:8). Nesse banquete, ocorreu um evento desagradável: Sara se ressentiu de certa atitude de Ismael em relação a Isaque. Talvez se tratasse de uma brincadeira ou de uma zombaria. O texto diz que ela pediu a Abraão que expulsasse Agar e Ismael de casa, pois não queria que o garoto fosse herdeiro com Isaque. O autor conta que Abraão, mesmo triste por causa de Ismael, despediu, na manhã seguinte, este e sua mãe. Os dois andaram sem rumo pelo deserto de Berseba (Gn 21:11-14).
É no deserto que Agar prova o cuidado de Deus, exatamente quando não havia mais perspectiva alguma de sobrevivência para ela e seu filho, de acordo com os versículos 15-16. No versículo 17, nós lemos: Deus, porém, ouviu a voz do menino; e o Anjo de Deus chamou do céu a Agar e lhe disse: Que tens, Agar? Não temas, porque Deus ouviu a voz do menino, daí onde está. Observe o verbo ouvir usado duas vezes nesse versículo. Não se trata, aqui, apenas de percepção auditiva, mas de dedicação, de atenção voltada para alguém. Foi assim que Deus se mostrou a Agar: dedicado e atencioso. Ele a encorajou, dizendo: Não temas. A razão por que ela não precisava temer era a presença do Deus que ouve, que ama primeiro e vai ao encontro do ser humano, onde quer que esteja. Foi essa mensagem que o Anjo de Deus levou a Agar, no deserto, quando disse: Deus ouviu a voz do menino, daí onde está.
No momento em que parecia não haver ninguém atento ao que se passava naquele lugar, Agar ouviu aquele que ouve e vê todas as coisas. Não era qualquer pessoa que falava com ela, mas aquele que habita nas alturas. O texto diz que ele a chamou do céu. No Salmo 113, também lemos: Não há ninguém como o Senhor, nosso Deus, que tem o seu trono nas alturas, mas se inclina para ver o que há no céu e na terra. Ele livra da humilhação os pobres e tira da miséria os necessitados (vv. 5-7). É assim que Deus lida com os desprezados: ouvindo-os, onde quer que estejam; mostrando-se atento ao que se passa com eles.
Por amar demais o ser humano, Deus detesta vê-lo desvalorizado. Sendo assim, não lhe agrada nem um pouco que pessoas sejam tratadas como objetos e sejam expostas à humilhação. Ele nos tem por alvos da sua atenção constante, mesmo sem sermos úteis, atraentes, carismáticos, ricos ou qualificados aos olhos humanos. Esse amor foi demonstrado claramente na atenção que Jesus dispensou às pessoas desvalorizadas pela sociedade. Os evangelhos nos dizem que ele se encheu de íntima compaixão (Mt 20:34; Lc 7:13), quando as encontrou. Portanto, a presença constante do Senhor conosco é a maior garantia do seu amor e do valor que ele nos dá. Lembre disso sempre, e especialmente quando for alvo de desprezo.
Ao mostrar a atuação direta de Deus em favor daqueles dois moribundos, o texto não apenas nos ensina a lembrar da presença de Deus. O segundo princípio que ele traz a você que tem enfrentado o desprezo é o seguinte:

II. AO LIDAR COM O DESPREZO, ACEITE A ORIENTAÇÃO DE DEUS

Depois de encorajar Agar, com sua presença e sua atenção, o Senhor passou a orientá-la para restabelecê-la daquele caos. Leia o que dizem os versículos 18-19: Ergue-te, levanta o rapaz, segura-o pela mão, porque eu farei dele um grande povo. Abrindo-lhe Deus os olhos, viu ela um poço de água, e, indo a ele, encheu de água o odre, e deu de beber ao rapaz. É importante observarmos que, apesar de poder poupar Agar de qualquer esforço, Deus lhe requer ação. Nisso, percebemos que ele a considerou capaz da atitude nobre de vencer sua debilidade física para socorrer seu filho.
Há, na sabedoria popular, um ensino que se aplica a essa situação: Em vez de darmos o peixe a alguém, devemos ensinar-lhe pescar. De certo modo, foi assim que o Senhor agiu com Agar: não lhe deu a água na boca, mas ensinou-lhe lutar, e ela aceitou a orientação divina. O primeiro passo foi ordenar que ficasse de pé, levantasse o garoto e o segurasse pela mão, porque isto era o que Agar podia fazer. Porém, o que ela era incapaz de ver, Deus lhe mostrou: Abrindo-lhe Deus os olhos, viu ela um poço de água (v. 18). Contudo, ainda havia algo que Agar podia fazer e fez: caminhar até o poço. Leia o que o texto diz: ... indo a ele, encheu de água o odre, e deu de beber ao rapaz (v. 19). Imagine essa mulher desidratada e castigada pelo calor do deserto caminhando até o poço. Deus poderia tê-la poupado disso.
Perceba, porém, que Deus não poupou Agar de esforço porque não a tratou como desprezível, mas valorizou-a a ponto de permitir que ela própria desse os primeiros passos rumo à reconstrução de sua vida. Essa é uma imagem de Deus diferente daquela que alguns costumam ter: aquele Pai bonachão que poupa seus filhos de todo e qualquer sofrimento, que faz tudo por eles, mesmo o que podem fazer. Essa imagem de Deus indo ao encontro de Agar e colocando-a em ação é o que a palavra de Deus nos revela sobre ele: um Deus que nos tem tanto amor que nos valoriza, até mesmo, e especialmente, quando estamos no pior estado imaginável.
Nosso Deus não nos trata como incompetentes e inúteis. Por isso, não fará o que está em nossas condições e o que é de nossa responsabilidade, mas nos orientará quanto ao que devemos fazer, porque conhece o limite das nossas forças e quer que confiemos nele. Deus tem prazer em nos ver superar os desafios que ele nos dá e nos encoraja a darmos o primeiro passo. Assim ele faz com aqueles que se sentem vazios de recursos próprios. Como agiu com Agar, neste texto em que estamos meditando, agiu com Moisés (Êx 3–4:1-17), Gideão (Jz 6), Jeremias (Jr 1:4-10) e outras personagens bíblicas.
Deus não alimenta nossa autocompaixão, não nos mima, mas nos torna ativos na construção da nossa história. Essa postura ativa diante da vida e, ao mesmo tempo, submissa a Deus torna-se evidente a partir do momento em que aceitamos as suas orientações, em sua palavra, e as seguimos, conscientes de que ele tem uma grande obra a fazer através de nós, que não pode ser interrompida pela opinião ou pela atitude de desprezo de outros. Foi essa atitude que levou Neemias a prosseguir com a construção dos muros de Jerusalém (Ne 3-4). Deus lida com os desprezados instruindo-os, em vez de deixá-los acomodados, e dando-lhes novas forças para levantarem e viverem para a sua glória.
Até aqui, você aprendeu a lembrar da presença de Deus e a aceitar suas orientações, diante desprezo. Mas há, ainda, um terceiro princípio que o agir de Deus sobre Agar e Ismael também ensina:

III.           AO LIDAR COM O DESPREZO, CONFIE NA JUSTIÇA DE DEUS

            Você lembra como Agar fora parar no deserto com seu filho: Sara requerera de Abraão que os expulsasse de casa. Vamos ler novamente os versículos 9-10. Talvez ela já estivesse bastante preocupada em garantir que Isaque fosse o único herdeiro de Abraão e só esperava um motivo para requerer a rejeição de Agar e Ismael, ou, talvez, as frequentes intrigas familiares, pela situação privilegiada de Isaque tenham-na levado a pedir que Abraão os expulsasse. O fato é que o texto não dá condições para entendermos que a atitude do garoto tenha sido digna do castigo que ele recebeu.
A postura arrogante da esposa de Abraão levou-a a usar sua situação de poder para desprezar quem dependia de seu favor. Sendo assim, ainda que Deus ordenasse a Abraão que mantivesse em casa Agar e Ismael, a atitude de Sara não seria reparada, porque justiça imposta jamais será justiça de fato. Também precisamos considerar que, se entendemos justiça como a vontade de Deus cumprida, a atitude de Sara está, definitivamente, bem longe de ser justa – ainda que tal atitude fosse considerada legítima, naquela época e naquele meio social –, pois o uso do poder para privar pessoas de seus direitos fundamentais e condená-las à desolação não se harmoniza com a vontade de Deus. Isso porque o uso indevido do poder tem sua raiz na soberba e é maléfico ao ser humano.
Mas o fato é que Deus disse a Abraão: Não te pareça isso mal por causa do moço e por causa da tua serva; atende a Sara em tudo o que ela te disser; porque por Isaque será chamada a tua descendência (v. 12). Todavia, não precisamos ficar confusos porque esse mesmo Deus ama a justiça (Sl 33:5) e detesta o desprezo ao ser humano, que ele criou a sua imagem e semelhança. Portanto, quando ele disse para Abraão atender Sara (vv. 12-13), não estava sendo conivente com a injustiça dela, mas garantindo que iria agir com justiça e cumprir suas promessas – e não há nada mais justo que o cumprimento das promessas divinas.
Deus não esquecera o que havia prometido a Abraão, mas, por ser justo, jamais deixaria Agar e Ismael sem a garantia de um futuro abençoado: ... eu farei dele um grande povo (v. 18). Deixá-los, portanto, sair de debaixo do teto de Abraão e colocá-los em liberdade era o início do cumprimento dessa promessa. Leia os versículos 20-21: Deus estava com o rapaz, que cresceu, habitou no deserto e se tornou flecheiro; habitou no deserto de Parã, e sua mãe o casou com uma mulher da terra do Egito. O que Deus queria mesmo era dar-lhes um rumo digno, tornando-os livres para construírem suas vidas, pois a sua justiça promove salvação e restauração do ser humano.
Não esqueça que nenhuma injustiça está oculta aos olhos de Deus. Ele vê se tratamos ou se somos tratados com desprezo. Por isso, não se engane: Deus, cujo nome é santo, jamais será conivente com a injustiça, e não esmoreça: Deus, cujo nome é santo, ouve o gemido dos injustiçados. Você não precisa e não deve revidar; tampouco precisa guardar mágoa. Basta confiar no Deus que faz justiça aos desprezados, pois, assim como Agar não podia imaginar que todo aquele caos a que fora submetida era o início da sua liberdade e da liberdade de seu filho, você também não consegue entender por que Deus lhe permitiu passar por humilhações e chegar ao estado em que você se encontra. Mas ele sempre está fazendo o que é justo: está tornado você livre e colocando outros em liberdade, ao mesmo tempo.

CONCLUSÃO: Para encerrarmos esta reflexão, é oportuno lembrarmos o que o escritor de Provérbios diz: Quando cair o teu inimigo, não te alegres, e não se regozije o teu coração quando ele tropeçar; para que o Senhor não veja isso, e lhe desagrade, e desvie dele a sua ira (Pv 24:17-18). O sentido dessa advertência é que Deus está sempre presente, vê o ofensor e o ofendido, e sempre se coloca em defesa de quem sofre o insulto, ainda que se trate de um inimigo nosso. A partir do momento em que agimos com arrogância diante daqueles que nos tratam mal, deixamos de ser inocentes aos olhos de Deus. Ele sempre prefere ser o defensor daqueles que não têm defensor. Foi assim que ele se revelou a Agar.
Deus jamais nos rejeita porque nunca nos mede pela régua humana. Ele sonda os corações, sabe, de fato, quem somos e nos concede valor inestimável, a despeito das nossas falhas. Conhecer, hoje, as atitudes que caracterizaram o seu tratamento a Agar e Ismael é encorajador. É de fé e coragem que precisamos para confiar que Deus ouve o nosso gemido, quando passamos por situações de desprezo e incompreensão por parte daqueles que deveriam nos amar. Portanto, prossigamos em conhecer esse Deus, que é sempre presente, orientador e justo.

Sermão produzido pelo Departamento de Educação Cristã (DEC) da Igreja Adventista da Promessa.